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Anselmo Duarte recebeu a Palma de Ouro em 1962 por O Pagador de Promessas | Pedro Serápio/Gazeta do Povo
Anselmo Duarte recebeu a Palma de Ouro em 1962 por O Pagador de Promessas| Foto: Pedro Serápio/Gazeta do Povo

O corpo do ator e cineasta Anselmo Duarte será enterrado neste domingo (8) em Salto, a 105 km de São Paulo, onde ele nasceu. O sepultamento está previsto para as 11h30 de domingo (8), no Cemitério Municipal da cidade do interior de SP.

Duarte, de 89 anos, morreu na madrugada deste sábado, à 1h30, no Hospital das Clínicas, onde estava internado desde o último dia 28. Segundo o filho do diretor, o empresário Ricardo Duarte, ele sofreu o terceiro acidente vascular cerebral e ainda lutava contra um câncer na bexiga.

O corpo de Duarte saiu no começou da manhã deste sábado (7) de São Paulo, onde foi velado na Assembleia Legislativa de São Paulo, no Ibirapuera, na Zona Sul, em direção a Salto.

Ricardo Duarte, que também é presidente do Instituto Cultural Anselmo Duarte, lamentou a morte do pai dizendo que, com a perda de cineasta, "encerra-se uma fase importante do cinema do século 20".

"Ele deixa um legado e, para quem conhecer, aí está o instituto cultural. Em determinado momento, ele foi o mais importante cineasta do mundo. Ele venceu [Frederico] Fellini, [Michelangelo] Antonioni e outros grandes cineastas. Ele é o cineasta latino-americano mais premiado de todos os tmepos com o 'O Pagador de Promessas'", desabafou o presidente do instituto, que fica em Salto.

Diretor, ator, produtor e roteirista de cinema, Duarte foi um dos mais prestigiados artistas do país. Com o filme "O pagador de promessas", de 1962, foi premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cinema Cannes – a única concedida a um filme brasileiro até hoje. Ele concorreu com outros gênios do cinema, como Vittorio De Sica e Luis Buñuel. Além de Ricardo, o diretor também é pai de Anselmo Duarte Júnior, Lídia Soares Duarte e Regina Hooper Duarte.

Carreira

Anselmo Duarte começou sua trajetória artística como figurante do longa "It's all true", de 1942, que o diretor americano Orson Welles filmou no Brasil mas não chegou a finalizar.

Duarte seguiu na carreira de ator até até o fim da década de 40 e depois na de 50, quando recebeu o título de galã graças ao filme "Carnaval no fogo". Estrelou produções das companhias de cinema Atlântida, Cinédia e Vera Cruz.

O filme "O pagador de promessas", baseado no texto de Dias Gomes e protagonizado por Leonardo Villar e Gloria Menezes, foi sua grande consagração. O longa concorreu ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro e venceu a Palma de Ouro em Cannes, um dos principais eventos cinematográficos do mundo.

Rodado em Salvador, o longa é uma dura crítica à intolerância da Igreja e aborda a mistura de religiões no Brasil. O elenco também tem os atores Othon Bastos e Norma Bengell.

Além de diretor, Duarte também foi ator e roteirista de mais de 40 longas nacionais. Destaque para "O caçador de esmeraldas" (1979), "O marginal" (1974) e "Um certo capitão Rodrigo" (1971). Seu último trabalho no cinema foi como ator no filme "Brasa adormecida" (1987), de Djalma Limongi Batista, que também tem no elenco Maitê Proença, Edson Celulari e Sérgio Mamberti.

O Instituto Anselmo Duarte tem planos de restaurar 26 filmes do cineasta, para serem lançados em DVD e distribuídos gratuitamente em 10 mil instituições culturais do Brasil. Batizado de "Projeto Anselmo Duarte", o empreendimento foi aprovado pelo Ministério da Cultura e está em fase de captação de recursos.

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