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Opinião

Criação é melhor quando o grupo está sintonizado

Guillermo parece nunca sair de seu personagem | Arquivo La Pocha Nostra
Guillermo parece nunca sair de seu personagem (Foto: Arquivo La Pocha Nostra)

A reportagem da Gazeta do Povo acompanhou o último dia da oficina Exercises for Rebel Artists, trazida ao FIT pelo grupo americano La Pocha Nostra. A proposta do minicurso prático era extrair daqueles 12 corpos criações performáticas inovadoras.

Tudo começou com um aquecimento, aos moldes do diretor italiano Eugenio Barba: movimentos num crescendo, seguidos por um adensamento do ar coletivo (na prática, cada um se abaixa, coleta o "espaço" lá de baixo e o solta lá em cima, mirando fixamente um colega). Em roda e inserindo sons ritmados com mãos e pés, o mexicano-personagem Guillermo Gómez-Peña passa a propor temas como "no meu mundo... (complete a frase)". Saiu até "haverá mais pudim".

Enquanto os atores se aquecem, um livro de Guillermo, figura memorável, fica dando sopa. Interessado na situação limite em que se colocam os mexicanos ao cruzar ilegalmente a fronteira com os EUA, ele cria performances político-artísticas e sempre deixa claras suas convicções políticas e artísticas.

Depois de exercícios de equilíbrio em dupla, os jovens escolhem figurinos e adereços de uma montanha de opções e saem para fazer performances itinerantes pelas dependências do Sesc, onde acontece a oficina. As regras são poucas: não quebrar cadeiras, não ficar pelado, não destruir os jardins.

Numa das cenas, um rapaz estende um pano preto pelo gramado e logo uma aluna do mestrado da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) reage, transformando-se numa noiva com uma sacola de peixinhos na cabeça, e caminhando pelo tapetão negro.

Em seguida, um grupo ocupa um xadrez gigante, em que uma Vênus beija o bispo. O autor da idea, professor da Universidade de Londrina, conta já ter realizado uma performance em que simulou uma experiência negativa real passada num hospital. Em cena, ele inseria uma sonda e tirava sangue de si mesmo.

Apesar da advertência, surgem no gramado os primeiros seios à mostra. De volta à sala, a nudez ajuda a dar vazão à rebeldia que dá nome ao exercício.

As figuras mais interessantes são criadas por quem mantém um figurino low-profile, e as melhores cenas saem quando os artistas dão continuidade a propostas iniciadas por outro.

Depois de muito suor e brados, os grupos se atracam com o pudim da cantina. "Açúcar!", comemora uma aluna.

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