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Mesmo com o protesto contra o corte de verbas, Greca sambou no  Carnaval. | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Mesmo com o protesto contra o corte de verbas, Greca sambou no Carnaval.| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Duas ações na área cultural tomadas pelo prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), no primeiro bimestre de mandato dividem as opiniões dos eleitores curitibanos ouvidos em uma enquete realizada pelo instituto Paraná Pesquisas.

Uma medida foi positiva para a popularidade do prefeito: o corte pela metade de verbas do Carnaval curitibano foi aprovado por 70 % dos entrevistados. (Veja o gráfico)

Outra decisão, o cancelamento da tradicional Oficina de Música de Curitiba após 34 anos ininterruptos, porém, pesou negativamente e influiu para que o início da gestão Greca fosse desaprovada por 55% dos eleitores ouvidos pela enquete.

Após 60 dias, 55% dos curitibanos desaprovam gestão Greca

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O cancelamento da 35ª edição da Oficina de Música, que estava marcada para os dias 7 e 29 de janeiro, foi decidido antes da posse de Greca e gerou um impasse com o Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC), que já tinha ordenado despesas para a realização do evento.

Para o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, a rejeição à decisão municipal deve-se ao fato que parte da população avaliou que a cidade “perdeu algo importante”.

“É uma perda simbólica de um evento cultural importante e tradicional, que tem mais de três décadas. Mesmo quem nunca foi assistir a um concerto tem a percepção que é errado abrir mão deste evento”, afirma Murilo.

Greca cancelou a Oficina com a justificativa de que a saúde é a prioridade de sua gestão, em detrimento de investimentos em outras áreas. “Eu não posso contrapor a saúde à música. Enquanto houver dor em espaço público não atendida, não pode haver música”, disse o prefeito à época.

O cancelamento causou revolta entre músicos e estudantes, que contestaram a justificativa com números da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os quais mostram que o valor total da Oficina de Música (R$ 1,7 milhão) corresponderia apenas a nove horas e meia de atendimento de saúde no SUS Curitiba.

Sem vocação

O cancelamento do pré-carnaval de Curitiba e a redução pela metade da verba destinada às escolas de samba - com grande aprovação dos entrevistados pela enquete - foram anunciados pelo prefeito no dia 11 de fevereiro, sob a justificativa da falta de recursos.

O contingenciamento da verba impediu o desfile de escolas como Unidos de Pinhais e Leões da Mocidade e foi alvo de protestos das demais escolas que passaram pela avenida. Para Hidalgo, os números da enquete mostram que a cidade não faz questão de defender o carnaval de rua.

“É uma demonstração de que a cidade tem pouca vocação para o Carnaval tradicional e de que a população em geral não liga para a realização da festa”, acredita Murilo Hidalgo.

Para ele, não há componentes religiosos ou traços de conservadorismo no resultado da enquete. “Em outras cidades do país, há a mesma proporção de conservadores e pessoas com crença religiosa e o Carnaval de rua só faz crescer”, compara.

Hidalgo também destaca uma diferença de gestão de política cultural entre Greca, que cancelou o pré-carnaval, e o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT), que incentivava e produzia as festas de rua através da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

Durante a gestão Fruet (2013-2016) as festas de pré-carnaval chegaram a atrair milhares de pessoas, mas Greca conseguiu satisfazer parcela maior da população acabando com o evento.

“Fruet tentou seguir a tendência das demais capitais brasileiras de retomada dos carnavais de rua. O cancelamento da festa em Curitiba, no entanto, mostrou que o povo não sentiu falta. Pelo contrário, aprovou. Se você tentasse cancelar a festa em São Paulo o povo se revoltaria e não permitiria. Aqui, não”.

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