
Eles ainda não são conhecidos por muitos no Brasil, mas já fazem um barulhinho bom na França. Benjamin Biolay, Carmen Maria Vega, Coralie Clément, Emilie Simon e Yelle estão entre aqueles que compõem o sangue novo da música francesa e, por extensão, da música francófona, que será amanhã um dos gêneros mais lembrados na 30.ª edição da Fête de la Musique (Festa da Música, em tradução livre), celebrada com pompa nos países cuja língua oficial é o francês, espalhados, além da Europa, pela África e pela América.
O evento, que começou em 1982, por iniciativa do Ministério da Cultura da França, faz com que os nomes atuais da música francófona ecoem de certa forma para o resto do mundo, seja por meio do jornalismo ou das celebrações realizadas pelas escolas de idiomas. A repercussão, porém, está longe de ser a mesma vista nos países que falam francês. Neles, a população vai às ruas com instrumentos debaixo dos braços ou munidos da própria voz, sempre no dia 21 de junho, o primeiro do verão no hemisfério norte, com um único objetivo: fazer música.
Mesmo com essa divulgação espontânea, ainda é cedo para dizer se esses artistas da nova geração alcançarão a mesma notoriedade de Edith Piaf, Charles Aznavour, Serge Gainsbourg e, mais recentemente, de Carla Bruni no mercado fonográfico estrangeiro. Por enquanto, essa realidade parece distante, pois seus álbuns foram lançados em poucos países que não falam francês. O Brasil continua fora da rota, mesmo depois de receber o show de alguns desses artistas, a exemplo de Benjamin Biolay, Coralie Clément e Yelle.
Se o futuro no mercado estrangeiro é incerto, ninguém pode negar que a maioria desses artistas ajudou a dar uma nova cara à dita chanson française. Benjamin Biolay é um dos únicos que ainda mantêm aquele charme romântico do gênero, que imperou principalmente entre 1950 e 1970. Já Carmen Maria Vega investe no pop rock mais agressivo, Coralie Clément na world music, Emilie Simon no pop eletrônico experimental e Yelle no dance com pitadas de funk. Músicas para quase todos os gostos.
Para o professor de francês da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Wagner Belinato, a representatividade quase nula da nova música francesa nas rádios brasileiras se deve a uma mudança do ponto de referência cultural. "Antigamente, a referência estrangeira era a francesa e não a norte-americana, como se vê há várias décadas", explicou. "Para um francês emplacar um sucesso no Brasil hoje, precisa ter um estilo musical próximo àquele dos artistas dos Estados Unidos."
Essa mudança deu origem a um público muito restrito de consumo de música francesa. "Em geral, são pessoas cultas ou que pretendem parecer cultas", comentou Belinato. "Os artistas brasileiros que gravaram canções em francês recentemente, como Tiê, Thiago Pethit e Maria Gadú, parecem ter o objetivo de atingir justamente esse nicho que vê na produção em língua francesa uma espécie de alta cultura."
A diretora das escolas de francês ligadas à Aliança Francesa no norte do Paraná, a francesa Elisabeth Dei Ricardi, afirmou que o fato de brasileiros gravarem músicas em francês revela, por outro lado, o elo de influência que ainda existe entre os dois países, apesar dos reposicionamentos que aconteceram no universo fonográfico. "A música brasileira ainda influencia os artistas franceses e vice-versa", disse.







