A música francófona já inspirou regravações e versões de cantores brasileiros. Um dos casos mais emblemáticos é de "Ne Me Quitte Pas", do belga Jacques Brel. A composição original ganhou registros nas vozes de Alcione, Angela Ro Ro, Cauby Peixoto, Maria Gadú e, é claro, Maysa. A versão em português ficou por conta de Fagner, sob o título de "Não Me Deixe Mais". O que nem todos sabem é que o contrário também acontece. E muito.
As músicas brasileiras mais populares no exterior ganharam versões no idioma francês, nem sempre por artistas de países francófonos. "Garota de Ipanema" virou "La Fille dIpanema" nas vozes de vários cantores e cantoras, dentre os quais os franceses Sacha Distel e François Jacqueline e a grega Nana Mouskouri. "Águas de Março" também faz parte dessa lista, sob o título "Les Eaux de Mars". A versão mais conhecida é da norte-americana Stacey Kent.
Até cantores brasileiros afrancesaram músicas do próprio repertório para conquistar os francófonos. Ao lado do francês Pierre Barouh, Elis Regina deu nova cara a "Noite dos Mascarados", rebatizada de "La Nuit des Masques". A gravação faz parte de um compacto duplo intitulado Elis em Paris (1968), que não foi relançado em CD e é difícil de encontrar, até mesmo nos fóruns mais bem abastecidos da internet. Alguma alma caridosa, porém, postou a canção no YouTube.
Martinho da Vila também se arriscou a fazer biquinho que não é um mito na língua francesa. Em 2003, ele lançou o álbum Conexões, composto quase que exclusivamente de versões bilíngues (português e francês) de seus principais sucessos. Nesse trabalho, que também ganhou um registro ao vivo em 2004, "Mulheres" virou "Femmes"; "Devagar Devargarinho", "Lentement"; e "Pra Tudo Se Acabar na Quarta-feira", "Pour Qui Tout Termine Mercredi".
Nesse grupo de artistas nacionais que têm um pezinho na França, Bïa Krieger é um dos expoentes. Todos os seus cinco álbuns trazem músicas em francês, muitas delas versões para sucessos de cantores brasileiros consagrados. As releituras podem mudar o idioma, mas costumam manter os arranjos, preservando a sonoridade do seu país natal. Um exemplo é "Como uma Onda", de Lulu Santos e Nelson Motta, que virou "Comme Une Vague" no CD Coeur Vagabond (2006).



