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Teatro

Da revolução política à revelação espiritual

José de Abreu interpreta 23 personagens num espetáculo de humor “que não é monólogo”, no palco do Teatro Fernanda Montenegro

José de Abreu resume a peça Fala Zé!: “Da libertação política para a libertação espiritual” | Divulgação
José de Abreu resume a peça Fala Zé!: “Da libertação política para a libertação espiritual” (Foto: Divulgação)

"Um show de humor." Assim o ator José de Abreu define o espetáculo Fala Zé!, de volta a Curitiba nesta sexta-feira (29), sábado (30) e domingo (31). A comédia estreou no então Festival de Teatro de Curitiba (atual Festival de Curitiba) em 2006, percorreu o Brasil – de Roraima ao Rio Grande do Sul –, e fecha, agora, o ciclo na mesma cidade onde debutou. "No início, eram três horas. Enxugamos 30 minutos, mas a peça é, basicamente, a mesma."

Fala Zé!, nas palavras do ator, trata-se antes de tudo "de uma espécie de biografia feita por amigos". O texto – de Angel Palomero e Walter Daguerre, com direção de Luiz Arthur Nunes – foi escrito a partir da trajetória do ator. Natural de Santa Rita do Passa Quatro (SP), Abreu é da geração que lutou contra a ditadura nos anos de chumbo. "A peça também fala da vida pública brasileira."

José de Abreu representa 23 personagens, 20 ao vivo e três deles gravados, exibidos em três telões. Durante a entrevista que concedeu à Gazeta do Povo, salientou – várias vezes – que não se trata de um monólogo. "Vou falando, atuando, divertindo."

Ilusões perdidas

Fala Zé!, cronologicamente, se passa durante 2006, ano em que, na definição do ator, "o Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu a virgindade, por, depois de muita teoria, entrar em contato com o prática do poder." O caso do "mensalão" estava no auge e um dos "capos" do PT, José Dirceu, também. Por falar nisso, os dois Josés – Dirceu e Abreu – estudaram (na mesma turma) Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), de 1966 a 1968. "Daí fomos presos. Tive de sair do Brasil e, ao retornar, abandondei, de vez, as ilusões políticas."

A peça traz o episódio citado no parágrafo anterior e muitos outros. Há memórias e invenção. Fala Zé! insere José de Abreu em meio ao público que presenciou o último show dos Beatles, em 1969. "Mas eu não estava lá." Em meio a verdades, e meias-verdades, a trajetória de um sujeito que, de certa forma, representa uma geração é contada, pelo próprio personagem. No encontro (ficcional?) com Gilberto Gil em Londres, é enunciada a frase que pode sintetizar a geração Zé de Abreu: "A revolução há de sofrer uma evolução e virar um revelação" – a mais perfeita tradução para quem sonhou mudar o mundo pela política e, posteriormente, se embrenhou por veredas espirituais.

Falando em viagens, de Curitiba, Abreu segue para a Índia. Vai fazer pesquisa, de imersão, para o personagem que representará na próxima novela das oito, da Rede Globo, Caminhos da Índia, que estréia em janeiro. Envolvido em seis longa-metragens, anuncia que, em 2009, estreará a sua primeira produção audiovisual enquato diretor, Onde os Porcos Comem Laranja.

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