
Berlim, Alemanha Robert De Niro e Matt Damon movimentaram a Berlinale, com a exibição de O Bom Pastor (The Good Shepherd), na mostra competitiva do festival.
Depois de sua estréia atrás das câmeras em 1993, com O Desafio do Bronx, Robert De Niro, o consagrado ator de papéis inesquecíveis em filmes como Táxi Driver, Touro Indomável e O Poderoso Chefão 2, voltou a dirigir um filme, quase uma epopéia, que lhe consumiu oito anos de trabalho e muitas dificuldades para obter financiamento.
O Bom Pastor traz pela primeira vez para as telas fatos até então não-revelados sobre a tumultuada história do início da Agência Central de Inteligência (CIA), por meio do resgate da vida de Edward Wilson, interpretado por Matt Damon.
Dirigido, produzido e também interpretado por De Niro (que vive o general Bill Sullivan,diretor dos serviços de inteligência americanos), o filme é um thriller que abrange o período de 1936 a 1961. O argumento é de Eric Roth (Forrest Gump e Munich) e, segundo ele, Wilson foi o caminho que lhe permitiu explorar a face e os bastidores da CIA.
Wilson era um autêntico patriota e um homem consciente do valor da discrição, uma prática que ele aprendeu muito cedo, ainda na sua adolescência. Em 1939, quando estudava na Universidade de Yale, foi convidado a entrar numa sociedade secreta, a Skulls and Bones Society (Sociedade dos Crânios e Ossos).
Sua inteligência, frieza e inquebrantável fé nos valores americanos o tornaram um perfeito candidato para ser um agente secreto. Assim, durante a Segunda Guerra Mundial, ele começa a trabalhar no Office of Strategic Services (OSS), uma organização precursora da CIA. Ele e seus companheiros criam a agência de espionagem mais poderosa do mundo, um fato que ajudará a forma a geopolítica da época e mudará para sempre a vida de Wilson.
Seu próprio idealismo vai perdendo força na medida em que vai crescendo o medo e a suspeita constante de algo ou alguém, reflexo também de um mundo que estava entrando na paranóia da Guerra Fria.
Os métodos rigorosos de Wilson acabam sendo adotados como procedimentos padrão e ele se converte num dos agentes de maior peso da CIA. Mas, sua dedicação e obsessão não têm limites e ele sacrificará tudo por seu trabalho, inclusive a vida familiar com sua mulher Clover (Angelina Jolie) e seu filho (Eddie Redmayne).
O bom elenco conta ainda com Alec Baldwin, William Hurt, Timothy Hutton, Joe Pesci e John Turturro, entre outros.
Na coletiva após a projeção, De Niro, acompanhado de Damon e Martina Gedeck (faz Hanna Schiller, amante de Wilson), foram recebidos como estrelas com calorosos aplausos e assovios.
Muito assediado, Dammon disse sorridente que está em Berlim "a negócios" e também para se divertir.
"Eu vivi aqui por seis meses, amo esta cidade, seu povo, sua cultura e tudo o mais", declarou.
De Niro ao contrário de Damon, bastante fechado e mal-humorado fez questão de esvaziar todo o conteúdo político do seu filme.
"O Bom Pastor não pretender fazer uma crítica ao poder da CIA, não se trata de filme denúncia ou algo assim, apenas eu gostei muito do roteiro. Além do que, tinha um grande desejo de contar essa história", afirmou.
Envolvido nas filmagens de três produções com os diretores Jodie Foster, Barry Levinson e Tim Hunter e em negociação com uma quarta, que será dirigida por Michael Mann, De Niro disse que não lhe sobra muito tempo para dirigir.
"Mas planejo fazer duas sequências com a história da CIA, uma delas que se estenderia até os dias de hoje, principalmente após o 11 de setembro", revelou argumentando que, em última análise, seria a complementação de O Bom Pastor.
"Se nós tivermos sorte, podemos realizar isso. A primeira seria de 1961, com a construção do Muro em Berlim, até sua queda em 1989. E, depois, um terceiro filme de 1989 até o presente", complementou antecipando que pretende ter novamente Dammon no elenco.







