
O filósofo e escritor francês Voltaire (1694-1778) foi uma pedra no sapato da sociedade francesa do século 18. Seus textos e ensaios eram recheados de ironia, sarcasmo e ataques à burguesia e à Igreja Católica. Para escrever sua obra mais conhecida, Cândido ou o Otimismo, o francês de nome François-Marie Arouet utilizou inclusive outro pseudônimo: Monsieur Le Docteur Ralph (Senhor Doutor Ralph) para fugir das perseguições. Há exatos 250 anos a obra era publicada. E para celebrar o que se tornou um dos clássicos contos filosóficos, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) com apoio da Capes, Fundação Araucária e Governo do Estado realiza o Colóquio Internacional Voltaire, que começa hoje e segue até a próxima quarta-feira. Os encontros acontecem no Anfiteatro 100 do edifício Dom Pedro I.
"O colóquio tem duas intenções principais. A primeira é celebrar a publicação de Cândido ou o Otimismo, a obra mais famosa do autor. A outra é mostrar um outro Voltaire, que é autor de vários textos pouco conhecidos, mesmo na França. Um Voltaire ligado à ciência, à Newton, e não só o que era bon-vivant ou ligado à militância política", explica Rodrigo Brandão, professor da filosofia da UFPR e organizador do evento. O encontro conta com pensadores e professores da USP, Unesp, Unicamp, PUCRJ, UERJ e das Federais do Piauí e Sergipe, além de três convidados internacionais: os professores Sébastian Charles (Canadá), Stéphane Pujol e Veronique Le Ru (ambos da França). Todos participarão de mesas redondas e debates a partir da tarde de hoje. Os encontros com estrangeiros terão tradução simultânea em forma de texto, em um telão.
Redescobrimento
Voltaire foi um dos autores franceses mais prolíficos. A obra que deixou é imensa 20 mil cartas e cerca de 2 mil livros embora pouco conhecida. Segundo Brandão, fala-se muito, por exemplo, do Voltaire brincalhão e sarcástico, mas esquece-se que o francês também se dedicou à ciência e à filosofia.
"Na França, recentemente, a importante revista Magazine Littéraire publicou um artigo sobre Voltaire entitulado Voltaire, Nosso Novo filósofo", diz Brandão, confirmando o "descobrimento" de Voltaire.
"Pretendemos promover uma redescoberta desse Voltaire filosófico, mais profundo, menos brincalhão do que se achava. Ou tentar fazer com que suas brincadeiras sejam levadas a sério", completa o professor. Em sua época, Voltaire foi um revolucionário. Defensor aberto da reforma social, usou suas obras para criticar de forma veemente a sociedade e as instituições francesas tradicionais e atacar a intolerância religiosa.
Junto com John Locke e Thomas Hobbes, configurou o Iluminismo, movimento que centrava nas ideias de progresso e de defesa da razão como possibilidade para superação de ideologias vigentes. Hoje, os restos de Voltaire descansam no Panteão de Paris, na França.



