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Trocar palavras "difíceis" por outras mais "fáceis". Isso num livro de Machado de Assis (1839-1908). É essa a proposta da escritora Patrícia Secco, que justifica o desinteresse dos jovens pelo maior escritor brasileiro. "Os livros dele têm cinco ou seis palavras que não se entendem por frase. As construções são muito longas. Eu simplifico isso", disse Patrícia, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

A escritora (re)lança em junho o livro O Alienista (1882), em que a construção das frases foi alterada, assim como algumas palavras – "sagacidade" virou "esperteza", por exemplo. O projeto para "facilitar" Machado, que também previa versões de O Cortiço e Memórias de Um Sargento de Milícias, foi liberado pelo Ministério da Cultura para captar dinheiro com lei de incentivo, mas Patrícia só conseguiu patrocínio para dois títulos: O Alienista e A Pata da Gazela, que saem em junho. A equipe que "simplifica" o texto é formada pela autora, dois amigos jornalistas e "um monte de gente", de acordo com o que afirmou ao jornal paulistano.

Reação

Enquanto acadêmicos acham a proposta um "absurdo" e uma "mutilação", uma petição on-line quer deixar Machado em paz, e tenta recolher 10 mil assinaturas para impedir a alteração dos textos originais. "Ministério da Cultura do Brasil: Impeça a alteração das palavras originais nas obras da língua portuguesa" é o título da página no site avaaz.org. Até o fechamento desta edição, haviam 4.087 assinaturas.

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