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 | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Inaugurados há mais de um século ou prestes a abrir as portas ao público, diferentes espaços em Curitiba mostram a propensão da cidade a sustentar suas tradições e ao mesmo tempo abrir-se ao novo e diferente.

Instituto Histórico e Geográfico do Paraná: O templo do paranismo

Museu do Holocausto: histórias pessoais de uma tragédia universal

Museu Egípcio: o segredo da múmia

Museu de Arte Indígena - MAI: o Brasil antes do Brasil

Museu da Arte Sacra: religiosidade e o começo de Curitiba

Museu da História Natural: o ser vivo mais antigo da cidade

Museu Nacional do Espiritismo: Van Gogh e Picasso ao alcance de todos

Círculo de Estudos Bandeirantes: preservando a história do Paraná

Localizadas em pleno centro ou quase escondidos em bairros residenciais, essas instituições são pouco conhecidas do público, mas guardam grandes tesouros da identidade curitibana que também traz em sua essência o pioneirismo.

Alguns desses lugares são precursores ou únicos no Brasil na abordagem de temas específicos. Outros, enaltecem a história e personalidades do Paraná desde os seus primórdios até os dias atuais.

Todos são abertos ao público, com acesso gratuito ou por um preço bastante acessível.

Instituto Histórico e Geográfico do Paraná - IHGPR

Fundado em 1900, o IHGPR guarda em seu edifício fotografias, documentos, objetos e mapas que contam a trajetória de construção e formação do Paraná Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua José Loureiro, 43, Centro. Contatos: 3224-0683 / ihgpr1900@hotmail.com. Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 13h30 às 17h30. Entrada gratuita. Recomenda-se agendar visita com antecedência.

Fundado em 1900, o IHGPR guarda em um edifício de três andares, erguido na década de 1950 com restos de materiais usados na construção do Centro Cívico, um tesouro da história paranaense. A viagem no tempo começa pelas instalações dos principais espaços do instituto, o auditório e a sala de reuniões, mobiliadas com peças da década de 1960 da Móveis Cimo, tradicional fábrica que funcionou por 60 anos e faliu em 1982.

Fotografias, documentos, objetos e mapas contam a trajetória de construção e formação do Paraná desde os primórdios até a história recente. Cerca de sessenta anos atrás, o instituto contratou uma funcionária da Torre do Tombo, em Lisboa, para pesquisar no acervo português documentos do período colonial relacionados ao território paranaense. Todo o material, com data de 1574 a 1808, foi transliterado e digitalizado e está disponível para consulta no local.

A biblioteca paranista possui mais de 14 mil títulos de autores ou temas do Paraná classificados por tamanho, exigência instituída por testamento pelo doador da maior parte das obras, o professor e historiador Júlio Moreira.

A visita ao local fica ainda mais interessante se acompanhada de um dos membros da diretoria, especialmente o vice-presidente, Ernani Straube, integrante desde 1968, e o diretor cultural, José Chuquer Rodrigues, que estão sempre à tarde por lá e podem narrar com detalhes os episódios e acontecimentos ilustrados e documentados no acervo do instituto.

Museu do Holocausto

No Museu do Holocausto, único do Brasil, a narrativa de uma das piores tragédias da humanidade é feita de forma pessoalMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua Cel. Agostinho de Macedo, 248, Bom Retiro. Contato: 3093-7461. Horário de funcionamento: segunda, terça e quarta das 8h30 às 11h30 e das 14h30 às 17h30; sexta das 8h30 às 11h30; domingo das 9h às 12h. Entrada gratuita

As visitas devem ser agendadas com antecedência. Para escolas e instituições há guia em todos os horários de funcionamento. Para o público em geral, as visitas guiadas são feitas apenas no domingo. Não é permitida a entrada de menores de 12 anos.

No Museu do Holocausto, único do Brasil, a narrativa de uma das piores tragédias da humanidade é feita de forma pessoal. A ideia, segundo os idealizadores, é mostrar que o Holocausto não é uma história de milhões de pessoas, mas milhões de histórias diferentes. Por isso, ao fazer o percurso sobre um chão deixado propositadamente em cimento batido, o visitante é levado a conhecer a vida e a trajetória dos donos dos objetos expostos ali. As peças vieram de museus de várias partes do mundo, como o Museu do Holocausto, em Israel, ou foram doadas por famílias.

O museu busca ainda aproximar o acontecimento à realidade local ao expor relatos de sobreviventes que vieram para o Paraná fugindo do nazismo e por aqui prosperaram.

Na lista dos “Justos entre as Nações”, espaço dedicado aos não-judeus que salvaram judeus, figura o nome e a história da paranaense Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo que chegou a burlar as leis brasileiras para conceder vistos aos perseguidos.

Além dessa perspectiva de resistência e superação, o museu promove uma reflexão ao lembrar outros genocídios e questionar o que cabe a cada um no processo de impedir que atos de intolerância continuem ocorrendo.

Museu Egípcio

A proposta do Museu Egípcio é disseminar o conhecimento sobre ao Egito Antigo por meio de exposições de objetos e pinturas que ensinam sobre religião, arte e costumes do tempo dos faraósMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua Nicarágua 2620, Bacacheri. Contatos: 3351-3000 / urci@amorc.org.br. Horário de funcionamento: segunda a sexta das 8h às 12h e das 13h às 17h30; sábados das 10h às 17h; domingos das 9h às 12h. Entrada: R$ 5 (inteira), R$ 3 (meia), R$ 1 por pessoa para grupos escolares. O agendamento é necessário para visitas em grupo.

A proposta do Museu Egípcio é disseminar o conhecimento sobre ao Egito Antigo por meio de exposições de objetos e pinturas que ensinam sobre religião, arte e costumes do tempo dos faraós. O espaço é mantido pela Ordem Rosa Cruz que tem raízes nas antigas escolas egípcias de mistério.

Entre as cerca de 200 réplicas expostas, duas peças originais chamam a atenção.

Uma delas é a múmia Tothmea, uma egípcia que viveu provavelmente há 2600 anos, descoberta em uma necrópole em Tebas Ocidental, no século 18. Foi levada aos Estados Unidos e, em 1995, doada à Ordem Rosa Cruz de Curitiba.

A antessala do túmulo de Tothmea é uma reprodução fiel de uma capela funerária de onde é possível assistir a um vídeo que mostra o trabalho de reconstrução facial da múmia.

Destoante do acervo, porém não menos instigante, é a múmia Wanra, uma criança que teria vivido nos Andes, não se sabe se no Peru ou na Bolívia. Mumificada naturalmente, a pequena andina teria 2 anos e meio. Uma pulseira encontrada em seu braço indica sua ligação com o povo Quéchua, originário dos Andes. Mantida durante anos por seu descobridor, um homem que teria passado por regiões do Peru e da Bolívia, foi doada pela família ao museu após a morte dele.

No mesmo edifício, uma biblioteca com milhares de obras exotéricas também fica aberta para consulta local.

Museu de Arte Indígena - MAI

O Museu de Arte Indígena, único do Brasil dedicado exclusivamente ao tema, ocupa os três primeiros andares de um prédio comercial da Avenida Água VerdeMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Avenida Água Verde, 1413. Contato: 3121-2395 / maimuseudearteindigena@gmail.com. Previsão de inauguração: final de agosto. Horário de funcionamento: terça a domingo das 8h às 18h. Entrada: R$ 12 (inteira) R$ 6 (meia). Visitas deverão ser agendadas.

O Museu de Arte Indígena, único do Brasil dedicado exclusivamente ao tema, ocupa os três primeiros andares de um prédio comercial da Avenida Água Verde.

As 700 peças do acervo fazem parte da coleção particular da advogada e pesquisadora autodidata Juliana Podolan Martins e foram adquiridas ao longo de 20 anos de expedição a etnias brasileiras. Entre as peças, há objetos de desejo de museus mundo afora. Em seus primeiros anos, o MAI funcionou na cidade de Clevelândia, região sudoeste do Paraná.

A montagem do espaço obedece a uma harmonia estética que proporciona o contato com a beleza da cultura indígena, representada em arte nas paredes, nos objetos e no som ambiente. Cada cor, traço geométrico e matéria prima usados em cerâmicas, armas, adornos e plumárias são explicados como símbolos de grande significação sócio-cultural do povo a qual pertence. Por isso, toda a visitação será feita com um guia. O objetivo é mostrar a cultura, os valores indígenas e devolver o sentimento de vínculo com os povos originários do Brasil.

Museu da Arte Sacra

O acervo do museu é composto por objetos de culto, imagens, paramentos litúrgicos, mobiliários e objetos pessoaisMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua Dr. Claudino dos Santos, S/N, Largo da Ordem.Contatos: 3321-3226 / malara@fcc.curitiba.gov.br. Horário de funcionamento: terça à sexta, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábado, domingo e feriado, das 9h às 14h. Entrada gratuita.

A ida ao Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba já valeria pelo passeio pelo centro histórico, principalmente se o visitante tiver a possibilidade de gastar algumas horas do começo da manhã, quando o movimento é bastante calmo na região. Além de apreciar as edificações antigas, vale a pena dar uma espiada na Igreja ao lado e na Casa Romário Martins, a poucos metros dali.

O acervo do museu é composto por objetos de culto, imagens, paramentos litúrgicos, mobiliários, objetos pessoais, entre outros.

A imagem mais antiga é a de Nossa Senhora das Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba, trazida de Portugal, provavelmente no século 18.

Do outro lado da parede está a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, a mais antiga edificação de Curitiba. Em seu interior, apresenta uma arquitetura interessante ao conservar aspectos originais da sua construção luso-brasileira do século 18 e elementos neogóticos inseridos após reforma motivada pela visita de Dom Pedro II à cidade, em 1880.

A Casa Romário Martins é o último exemplar de arquitetura colonial portuguesa no centro de Curitiba e abriga exposições temporárias de artistas paranaenses.

Museu da História Natural

O Museu está instalado dentro de um bosque remanescente de floresta com araucária que também pode ser visitado por uma passarela elevadaMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua Prof. Benedito Conceição, 407, Capão da Imbuia. Contatos: 3313-5582 / mhnci@smma.curitiba.pr.gov.br. Horário de funcionamento: terça a domingo das 9h às 17h. Entrada gratuita.

Passar uma noite no museu é uma das atividades do Museu de História Natural voltadas para estudantes da área de biologia. Com foco em pesquisa e educação ambiental, a instituição, tombada como Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná, é referência no estudo da história natural, biodiversidade e ecossistema paranaenses. O conhecimento e material desenvolvido também é disponibilizado para o público em geral.

Nos corredores, nove dioramas expõe animais taxidermizados (empalhados) em seus ambientes de origem. Grande parte da coleção é do alemão André Mayer, naturalista e importante taxidermista radicado em Curitiba nos anos 30 que desenvolveu uma técnica própria de taxidermia. Entre suas obras está um lobo guará morto na década de 1940.

O Museu está instalado dentro de um bosque remanescente de floresta com araucária que também pode ser visitado por uma passarela elevada.

No meio do caminho está, segundo o biólogo do museu, o ser vivo mais antigo de Curitiba, uma imbuia de quase mil anos.

Museu Nacional do Espiritismo

É primeiro museu do Brasil com temática espírita , fundado em 1965Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua Vinte e Nove de Junho, 504, Tingui. Contato: 3256-4383. Horário de Funcionamento: segundas e quartas das 20h às 23h e sábado das 15h às 18h. Entrada gratuita.

O primeiro museu do Brasil com a temática espírita foi fundado em Curitiba, em 1965. Parte do acervo é resultado de processos mediúnicos desenvolvidos ao longo de décadas na Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas, responsável pelo local.

Uma das seções é composta por peças em parafina que surgiram após fenômenos de ectoplasmia, materialização de espíritos, que aconteciam até o final dos anos 1970.

No setor de artes, os quadros expostos foram produzidos por psicopictografia, processo pelo qual o pintor concebe a arte por orientação espiritual de um artista. Dessa forma, o trabalho exprime traços e estilos do orientador, entre eles, nomes como Vincent Vang Gogh e Claude Monet. A instituição possui mais de 4 mil quadros pintados nesse sistema.

O museu também apresenta elementos históricos do espiritismo e está aberto a pesquisas e estudos científicos ligados à doutrina. O espaço faz ainda divulgação de artistas paranaenses, como Mariana Canet e João Moro, que abrirá exposição no local no final de agosto.

O atendimento e guia no museu são feitos por voluntários, por isso o horário de funcionamento é um pouco restrito.

Círculo de Estudos Bandeirantes

Promove seminários e palestras como forma de manter vivo o debate sobre a história e intelectualidade paranaensesMarcelo Andrade/Gazeta do Povo

Endereço: Rua XV de Novembro, 1050, Centro. Contato: 3222-5193. Horário de Funcionamento: segunda à sexta das 8h às 12h e das 13 às 17h30. Entrada gratuita.

O edifício de número 1050, da rua XV de Novembro no centro de Curitiba se destaque entre os vizinhos. A edificação é da década de 1940 e foi construída pelo arquiteto João de Mio, responsável por erguer inúmeras igrejas em Curitiba.

O Círculo de Estudos Bandeirantes carrega o peso de ter em sua criação a participação de grandes personalidades paranaenses como José Loureiro e Bento Munhoz da Rocha Netto. Também mantém a responsabilidade de ter contribuído para a criação das principais universidades do estado, a PUC-PR e a UFPR.

Administrado pela Universidade Católica, hoje o Círculo incentiva o estudo e pesquisa, principalmente de temas locais, disponibilizando um acervo bibliográfico de obras raras, incluindo um manuscrito de 1838 de Antônio Vieria dos Santos.

Também promove seminários e palestras como forma de manter vivo o debate sobre a história e intelectualidade paranaenses.

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