Na próxima sexta-feira, dia 29, é comemorado o Dia do Dublador, um profissional cujo rosto pode até não ser conhecido, mas a voz com certeza é.
Se María Antonieta de las Nieves, atriz que viveu a Chiquinha em Chaves (SBT), por exemplo, nunca passaria despercebida nas ruas, o mesmo não acontece com a atriz e dubladora Cecília Neves, que empresta sua voz à personagem.
Mas, assim que começa a falar, Cecília diz ser reconhecida. "Se vou ao mercado e abro a boca, já me olham diferente. Alguns perguntam se sou eu, e eu digo pois é, pois é, pois é. Nessa hora, tem gente que até se emociona, diverte-se a dubladora. Além de anônimos como Cecília, muitos famosos já emprestaram suas vozes a personagens de animações e até para clássicos do cinema.
A atriz Heloísa Périssé (Avenida Brasil) dublou, pela terceira vez, a hipopótama Gloria, no filme Madagascar 3 Os Procurados. "É tão gostoso quanto atuar, conta a atriz, que diz ter usado a própria voz. "Às vezes, as pessoas querem que eu faça a voz da Gloria e se decepcionam quando eu falo normalmente, diverte-se.
Mercado
Com o aumento do número de brasileiros que assistem à tevê paga, o mercado da dublagem ficou aquecido. Isso porque, com uma programação predominantemente importada, ou seja, em língua estrangeira, os canais têm investido em dublar as atrações para o português.
Mas, para se tornar um dublador, não basta saber fazer vozes engraçadas e diferentes. "Exige estudo. Primeiro porque, hoje, para trabalhar na área, é obrigatório ter concluído um curso profissionalizante ou o superior em artes cênicas, explica Orlando Drummond, mais conhecido como o Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo, que dubla personagens como Popeye e Scooby-Doo desde 1959 (confira outros personagens dublados por ele no quadro acima). Após a conclusão do curso para ator, o profissional pode fazer a especialização em dublagem. "Do mesmo jeito que um médico precisa estudar mais ainda para ser pediatra, o ator precisa para ser dublador, diz Drummond. Para um ator, porém, é difícil levar a dublagem como única profissão. "Há muita instabilidade nessa área. Acho melhor conciliar com um outro talento. Tem muito dublador advogado ou publicitário, por exemplo, finaliza.







