Fugir da realidade por algumas horas não é tão ruim quanto parece, ao menos do ponto de vista neurológico. É o que diz o psicólogo Naim Akel Filho, professor de Neurociência da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e do Instituto Tecnológico de Desenvolvimento Educacional (ITDE).
Em relação à base biológica do comportamento humano, os filmes de super-heróis estimulam a liberação de substâncias como endorfina e dopamina no cérebro, responsáveis pelas sensações de prazer e estímulo. Ou seja: mesmo imóveis diante da tela, participamos da ação. "O corpo está inativo, mas a área motora do cérebro está ativa. É o mesmo processo de quando estamos sonhando", ensina Akel Filho. Isso, segundo ele, pode ser um dos motivos que levam as pessoas ao cinema. "O problema é pensar que a fantasia é a realidade", adverte.
No aspecto puramente psicológico, é mais difícil chegar a uma conclusão. Para a psicanálise, relacionar-se com esse universo fantasioso faz bem. "É como se fosse uma catarse", resume Akel Filho. Já na teoria behaviorista, explica o especialista, o que existe é um processo de "modelação", uma simples cópia de comportamento: "Se vejo alguém resolver as coisas na base da porrada, vou acabar fazendo como ele".



