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Cinema

Incansáveis super-heróis

Adaptações de HQs ajudam indústria cinematográfica a faturar alto em 2008. Por outro lado, levantam suspeitas sobre uma possível entressafra criativa em Hollywood

Os números não mentem: no mercado cinematográfico mais endinheirado do planeta – o norte-americano –, os dois maiores recordes de bilheteria em estréias de fim de semana pertencem aos super-heróis. Batman – O Cavaleiro das Trevas, ainda em cartaz, faturou US$ 155,3 milhões somente nos três primeiros dias de exibição, desbancando o antigo recordista Homem-Aranha 3 (de 2007) e seus US$ 151,1 milhões de arrecadação. Os dados são da Exhibitor Relations, empresa especializada em medir esses números.

De certa forma, o fenômeno se repete no resto do planeta, onde a influência dos blockbusters predomina – inclusive no Brasil. E, enquanto aposta alto nesse gênero de filmes, a máquina hollywoodiana parece incapaz de diversificar o menu de opções. "Acho que o cinema está numa entressafra criativa. Antigamente, ele buscava inspiração em suas próprias coisas e na literatura", observa o quadrinista José Aguiar, autor da revista Quadrinhofilia.

Para Sidney Gusman, editor do site Universo HQ, especializado em quadrinhos, a crise de idéias originais e a invasão dos super-heróis na tela grande não causam espanto. "Hollywood descobriu uma Meca. Não acho que seja uma exploração, é uma tendência natural", opina o jornalista. Tendência esta que, segundo ele, deve continuar por muitos anos. "Não vejo como isso possa diminuir. As franquias têm se tornado bastante rentáveis. Todos esses filmes vendem merchandising a dar com o pau e a própria indústria de HQs está se assumindo como uma produtora de conteúdos", analisa.

Bolha

José Aguiar, por sua vez, acredita numa espécie de "efeito bolha" em relação aos longas-metragens de super-heróis. "Daqui a cinco anos haverá uma diminuição desses filmes de fantasia e um aumento das produções mais realistas", aposta. Já os fãs de quadrinhos, que não estão nem aí para a overdose de mascarados na telona, divertem-se com as recentes – e boas – adaptações para o cinema de Batman, Homem de Ferro e Hulk.

Nesse sentido, a qualidade dos futuros blockbusters do gênero será fundamental para determinar a longevidade dos paladinos da justiça. É bom lembrar que, desde Superman – O Filme (1978) – película dirigida por Richard Donner e até hoje reverenciada –, os personagens de HQs nunca deixaram de marcar presença na Sétima Arte. Mas foi somente com a retomada, a partir de X-Men – O Filme (2005), de Bryan Singer, que o gênero se desenvolveu.

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