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Desfile da Imperatriz Leopoldinense, que fez rererência à Usina de Belo Monte em seu desfile | Yasuyoshi Chiba/AFP
Desfile da Imperatriz Leopoldinense, que fez rererência à Usina de Belo Monte em seu desfile| Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

Impeachment, vice-presidente tomando o poder, protestos nacionais, políticos e empresários presos, depoimentos e delações que aprofundam a crise política. Nenhum desses temas, tão caros ao Brasil nos últimos tempos, perpassou a maior celebração da cultura popular do país. Na noite de abertura dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda (27), o discurso politizado foi deixado de lado em nome de um carnaval mais comportado.

Ideias transgressoras, como a do “cristo mendigo” de Joãosinho Trinta para a Beija-Flor em 1989, passaram ao largo dos enredos apresentados pelas seis escolas que desfilaram na Sapucaí nesta primeira noite. A escola que mais se aproximou de qualquer polêmica foi a Salgueiro, que levou para a avenida o enredo “A divina comédia do carnaval”, inspirado na obra de Dante Alighieri, e tinha uma de suas alas formadas por 40 casais que faziam um balé aludindo a movimentos sexuais.

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A Imperatriz Leopoldinense, que apresentou o enredo “Xingu – o clamor que vem da floresta”, chegou a flertar com um gesto de protesto ao nomear uma de suas alegorias de “Carro Monstro” fazendo referência à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte e à resistência dos indígenas à obra. No entanto, o carnavalesco Cahê Rodrigues apressou-se em dizer, antes do início do desfile, que o carnaval da Imperatriz em 2017 seria uma “homenagem” aos indígenas da reserva do Xingu mas que não iria “levantar bandeira”.

Os maiores protestos feitos pelos integrantes das escolas de samba disse respeito aos perigos do assoalho escorregadio devido à chuva que caiu na Sapucaí nas primeiras horas da noite. Segundo relatos de integrantes das escolas, o piso molhado, aliado a alguns buracos na pista, poderia ocasionar acidentes. Na madrugada de domingo, durante os desfiles das escolas da Série A, o grupo de acesso do carnaval carioca, a porta-bandeira da escola Unidos de Padre Miguel escorregou e caiu na pista molhada, sofrendo uma entorse no joelho e sendo obrigada a ser substituída no desfile.

Considerando as crises vividas pelo Brasil, a que mais parece ter afetado o carnaval de 2017 no Rio de Janeiro foi a financeira. Esse fator, além da redução do tempo de desfile para cada escola, fez com que o carnaval apresentado nesta primeira noite fosse um pouco mais modesto que o de anos anteriores. A redução de custos é reflexo da fuga de patrocinadores privados que bancavam boa parte do orçamento dos desfiles. Sem este recurso, as escolas de samba sustentaram o carnaval com recursos próprios mais os R$ 2 milhões repassados pela prefeitura do Rio de Janeiro a cada agremiação.

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