
ExposiçãoZEROMuseu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999 Centro Cívico), (41) 3350-4400. Visitação de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada). Até 3 de novembro.
Ambientes lúdicos, como uma sala escura iluminada apenas por elásticos fluorescentes, que se movem lentamente com animação eletromecânica, e outras obras de arte incomuns podem ser vistas na mostra ZERO, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON). No total, estão expostos trabalhos de 24 artistas que participaram do grupo homônimo, fundado no fim da década de 1950 para substituir a arte pós-Segunda Guerra Mundial. A intenção do movimento, formado pelos artistas Heinz Mack e Otto Piene, era criar um novo conceito de arte na Europa, que acabou se espalhando pelo mundo. O tom mais "informal", com bastante movimento e, em grande parte, monocromática, são algumas características dos artistas que integraram o ZERO. Até o fim da exposição (no dia 3 de novembro), o MON realiza, todos os domingos, às 16h30, uma visita guiada à exposição. A mediação é do professor de História da Arte Fabricio Vaz Nunes, da Escola de Belas Artes e Músicas do Paraná (Embap).
Preste atenção: Confira a instalação de espelhos do suíço Christian Magert, e a Chuva de Luz, de Günther Uecker, feita com tubos de alumínio e luzes de neon. Não deixe de ver também as duas obras do artista francês Yves Klein, ambas em um tom de azul característico, batizado com o seu sobrenome e usado posteriormente pela indústria da moda. (IR)
LivroO Casamento de LauchaRoberto Payró. Tradução Iara de Souza Tizzot, Arte & Letra, 82 págs., R$ 22. Romance.
Clássica novela argentina do inicio do século 20, escrita pelo ensaísta, contista e novelista e um dos mais importantes jornalistas da Argentina. Publicado pela primeira vez em 1906, é um livro obrigatório no ensino de segundo grau do país vizinho. Ou seja, muitos argentinos conhecem a história de um pequeno escroque, que vive de expedientes e pequenos golpes, viajando por províncias remotas à procura de dinheiro para sobreviver, até que consegue ludibriar e casar com uma mulher sem encantos, dona de um botequim. Laucha (que na Argentina quer dizer ratazana da forma mais pejorativa possível), porém, não nega a sua natureza e termina por arruinar a sorte de sua companheira.
Porque ler? Payró era um jornalista militante e critico contumaz dos costumes e das instituições importantes de seu tempo: igreja, casamento e política. Seu texto é ferino e muito engraçado e o livro tem sutilezas de estilo que eram muito ousadas há cem anos, como a presença de dois narradores contando a história em primeira pessoa; um onisciente e outro que fala com a voz do protagonista. (SM)
DVDBling Ring A Gangue de Hollywood(Bling Ring, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Japão/2013). Direção de Sofia Coppola. Com Emma Watson, Katie Chang e Israel Broussard. Paris Filmes. 90 min. Classificação indicativa: 16 anos. Apenas para locação. Drama.
Sofia Coppola ganhou o Oscar de melhor roteiro original por Encontros e Desencontros e o Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza, com Em um Lugar Qualquer por investigar a solidão na qual estão mergulhadas os famosos, dando especial atenção ao universo feminino. Em Bling Ring A Gangue de Hollywood, seu mais recente longa-metragem, ela revisita esses temas. Baseado no livro reportagem homônimo da jornalista Nancy Jo Sales, o filme conta a história de uma quadrilha de adolescentes que se especializa em roubos a casas de celebridades, como Paris Hilton, Lindsey Lohan e Orlando Bloom.
Por que ver? Filha do cineasta Francis Ford Coppola (de O Poderoso Chefão), Sofia cresceu em Hollywood e, portanto, tem uma visão interna e privilegiada desse mundo, que exerce enorme fascínio sobre o grande público. Em seus filmes, muito estilosos, a diretora desconstrói essa realidade de forma melancólica e intimista. (PC)
cd 1discoArnaldo Antunes. Rosa Celeste/Radar/Natura Musical. R$ 24,90. Rock.
O cantor e compositor Arnaldo Antunes brinca com o conceito de álbum, em tempos de consumo de canções soltas na internet, com Disco, seu 13.º trabalho solo. Quatro das faixas já tinham sido disponibilizadas na rede, e agora aparecem em uma sequência relativamente ordenada uma das características do velho formato. Disco traz parcerias inéditas de Arnaldo com compositores, como Caetano Veloso, Marisa Monte, Dadi Carvalho e Nando Reis.
Preste atenção: Nos diálogos possíveis entre as faixas incentivados pelo conceito. Canções lentas e introspectivas, como a faixa de abertura ("O Fogo" parceria de Arnaldo com João Donato), se alternam com músicas mais pesadas e de tom mais político, como "Muito Muito Pouco", que traz, na sequência, a sonoridade da banda que vem acompanhando o cantor há anos (Edgard Scandurra, Chico Salem, Betão Aguiar, Curumin e Marcelo Jeneci). A letra, repleta de críticas duras à sociedade, é seguida pelo otimismo irônico da faixa seguinte, "Dizem (Quem Me Dera)": "O mundo está bem melhor/ do que há cem anos atrás, dizem". As músicas seguem em narrativa de contrastes: "Ela É Tarja Preta", em clima de tecnobrega, antecede "Trato", cuja pegada soul brinca com o título de "Sou Volúvel", e daí por diante. (RRC)
CD 2From Here Now to YouJack Johnson. Brushfire Records. R$ 27,90. Surf music.
Se em discos anteriores de Jack Johnson não tiver ficado claro, neste, a alma havaiana está radiante, com um som repleto de sol e tranquilidade. Nas letras, o músico põe seu violão para declarar total entrega à mulher. (Apaixonadas, suspirem.) Assim ele abre o álbum, com "I Got You". É boa a sensação de poder aguentar qualquer coisa, porque se tem alguém. Diz que o amor não vai morrer nunca em "Never Fade" e avisa o filho que só a mamãe pode enxugar suas lágrimas. Algumas faixas reduzem a rotação à lentidão do sono, como "Ones and Zeros". Já outras são mais alegres, como "Shot Reverse Shot", quase dançante e bem para cima.
Em "Tape Deck", Johnson escapa um pouco de casa para relembrar a alegria de tocar numa banda punk de escola (quem diria...) Hoje em dia, o músico faz a trilha sonora universal para relaxar ou fazer coisas bem tranquilas, como pilates.
Sustentabilidade: Quem entra de cabeça na onda "reuse, reduza, recicle" tema de canção mais antiga de Johnson gostará de saber que o disco foi gravado usando energia solar e que 1% do rendimento da gravadora vai para ações de proteção do planeta. (HC)







