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A primeira vez que o maestro Ricardo Muti concretizou sua ideia de se utilizar de Depardieu para “Lélio” de Berlioz foi em 1997 em Paris, com a Orquestra Nacional da França.

Quando foi nomeado diretor musical da Orquestra Sinfônica de Chicago em 2010, Muti teve a feliz ideia de repetir o espetáculo com o ator, com a “Sinfonia Fantástica” e “Lélio”, aproveitando a excelência excepcional da orquestra americana.

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Todas as apresentações, que acorreram em setembro de 2010, tiveram os ingressos esgotados muito antes que de costume. No último dia 11, o selo próprio da Sinfônica de Chicago (CSO Resound) lançou um CD duplo com o espetáculo completo.

Existem dezenas de gravações da “Sinfonia Fantástica”, mas são raríssimas as gravações de “Lélio”. Um grande ator é indispensável para tal empreitada, e a última vez que houve uma gravação digna da obra foi em 1968 com a regência de Pierre Boulez e a notável atuação do ator Jean-Louis Barrault.

Diferente de Barrault, que mostrava sofrimento e tristeza, Depardieu pinta um personagem revoltado, colérico – quase bipolar. Minha primeira impressão é que ele foi mais convincente.

A gravação que foi feita ao vivo reproduz a reação da plateia quando o ator aconselha o maestro a ser atento e pede que os coralistas não afundem as cabeças atrás das partituras. Pelas risadas dá para imaginar as feições cômicas do sisudo maestro italiano ao ter que interagir com o ator.

Os solistas vocais Mario Zeffiri, tenor, e Kyle Ketelson, barítono, são surpreendentes e é uma pena que não apareça no livreto o nome do clarinetista, que executa com um primor extraordinário o solo na seção “A harpa eólica”.

Para amantes do teatro, para amantes do cinema e para amantes da obra de Berlioz um lançamento obrigatório.

No Brasil você pode baixar no iTunes por U$15,99. Baixando os dois discos, você recebe o excelente livreto em PDF, que vem com o texto integral de Berlioz em francês e em inglês.

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