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Cinema

História de amor entre Chanel e Stravinsky fecha o Festival de Cannes

"Coco Chanel e Igor Stravinsky" terá sessão oficial neste domingo. Longa mostra "A sagração da primavera" e criação do perfume nº 5

Cena de "Coco Chanel e Igor Stravinsky", de Jan Kounen | Divulgação
Cena de "Coco Chanel e Igor Stravinsky", de Jan Kounen (Foto: Divulgação)

Moda e música clássica têm um encontro marcado neste final de semana em Cannes. Selecionado para o encerramento do festival, no domingo (24), Coco Chanel & Igor Stravinsky foi exibido em uma sessão para a imprensa na manhã deste sábado.

Dirigido por Jan Kounen, o filme narra o romance entre a estilista Gabrielle "Coco" Chanel e o compositor russo Igor Stravinsky. Interpretada pela atriz francesa Ana Mouglalis, Coco é apresentada como uma mulher independente, devotada a seu trabalho e a frente do seu tempo. Assim como Stravinsky, vivido pelo dinamarquês Mads Mikkelsen, considerado um dos maiores compositores de vanguarda do início do século XX.

O longa-metragem abre com uma reconstituição do célebre episódio da estreia do balé A sagração da primavera, no Teatro Champs-Elysées, em 1913. Com música de Stravinsky e coreografia de Nijinsky, a apresentação terminou debaixo de confusão, quando o público, indignado com a quebra de convenções da obra, se pôs a vaiar a orquestra e os bailarinos.

Uma das convidadas naquele dia era justamente Coco Chanel, que se encantou pelo estilo revolucionário de Stravinsky e, anos depois, quando se reencontraram, ofereceu-lhe sua casa de campo na França para que o compositor pudesse trabalhar.

Artista de boutique

Casado e pai de quatro filhos, Stravinsky aceita a proposta e logo se rende aos encantos de Coco. Dividido entre a família e o caso com a estilista, ele mergulha em uma crise, que o leva ao alcoolismo e ao rompimento com Coco. "Você não é uma artista, é só a dona de uma loja de roupas", rebate o compositor quando Coco tenta comparar sua importância à dele.

Mas a opinião de Kounen - e, por extensão, de Chris Greenhalgh, cujo romance Coco & Igor, publicado em 2002, inspirou o filme - é bem diferente da de Stravinsky, que apesar do vanguardismo musical era apegado a valores mais conservadores.

Para o diretor do longa, não há dúvidas de que as criações de Chanel foram resultado de um trabalho artístico, seja na escolha segura da paleta de cores para as suas roupas - em preto e branco, geralmente - ou mesmo na forma como conduziu a invenção do clássico Chanel nº 5, perfume mais vendido no mundo até hoje.

"Quero um arco-íris, não uma nuvem em torno de mim", sugere a personagem ao químico encarregado de produzir a fragrância. A ideia era que com apenas uma aplicação o perfume permanecesse na pele da mulher por mais tempo, sem que se precisasse passar o dia todo borrifando a essência.

Quando finalmente chegou à versão que mais lhe agradava, Coco "assinou" o perfume com o seu nome - Chanel - e acrescentou o nº 5 em referência à última das cinco amostras finais dentre as quais escolheu.

Ideal para ser apreciado com os cinco sentidos, Coco Chanel & Igor Stravinsky é, finalmente, um espetáculo à parte para os amantes de moda, em geral. À parte uma peça de roupa criada especialmente pelo estilista Karl Lagerfeld, o figurino usado pela atriz Ana Mouglalis foi rigorosamente costurado a partir do guarda-roupas clássico de Coco: blusas, camisas, pantalonas, tricôs, pérolas, botões dourados inspirados no iatismo. Até a camisola usada pela atriz em uma das cenas do longa não faria feio nem no tapete vermelho de Cannes.

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