Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Disco

Janelle Monáe faz som cabeça, mas dançante

Com discurso elaborado e referências literárias e cinematográficas, a cantora de apenas 24 anos sopra nova vida na soul music

Janelle Monáe cria música capaz de mudar o rumo de um dia ruim | Divulgação
Janelle Monáe cria música capaz de mudar o rumo de um dia ruim (Foto: Divulgação)

Embora a música de Janelle Mo­­náe tenha um discurso elaborado, ela está fazendo barulho não porque seu novo disco, The Archandroid, faz referências ao filme clássico Metrópolis, do alemão Fritz Lang, ou aos livros de Philip K. Dick, autor de O Caçador de Androides, que virou Blade Runner no cinema.

O sucesso de Janelle Monáe tem mais a ver com os pés e menos com o cérebro: é muito difícil ouvir suas canções e ficar parado. Não se espera nada diferente de uma boa soul music.

A voz lembra a de Beyoncé e a atitude é descaradamente copiada de James Brown – ela até chega a dar passos iguais aos do mestre, caindo no chão para depois ganhar uma capa e ser amparada por ajudantes. Adicione uma banda sensacional, produção de primeira, convidados ilustres e, pronto, está explicado o sucesso.

O tipo de entusiasmo que ela inspira leva a mídia a batizá-la de "nova rainha do soul" e "salvadora" do gênero que andava meio quieto. O hip hop e o R&B seguem dominantes na atual música negra americana.

Não à toa, Janelle virou notícia ao assinar com o selo criado pelo rapper Sean "Diddy" Combs (antes conhecido como Puff Daddy) e, há anos, fez amizade com Big Boi, do Outkast. Este faz uma aparição na faixa "Tightrope", uma das mais eletrizantes do disco The Archandroid.

"Tightrope" é uma síntese de tudo o que Janelle se propõe a fazer. O início é muito parecido com "Hey, Ya!", exatamente do Outkast, mas segue por outros caminhos numa velocidade contagiante. Há solos de metais, gritos e sussurros. O tipo de música capaz de mudar o rumo de um dia ruim. O mesmo vale para as animadas "Faster" e "Locked Inside".

"Neon Valley Street" tem efeito semelhante, mas por causa de outras qualidades. Mais tranquila, tem uma batida eletrônica que dá base para a guitarra retrô, como se você estivesse de volta aos anos 80, ouvindo Gary Moore. "Say You’ll Go" é outra balada linda, sucedida pela cinematográfica "BaBopByeYa".

The Archandroid tem momentos que tendem mais para o hip hop, outros chegam a sugerir uma atmosfera new age ("Wondaland"), mas, no fim, é tudo pop de qualidade mais ou menos dançante. "Dance or Die", dance ou morra, diz a faixa dois.

Às vezes, apontar as características de uma canção como "57821" é um desafio difícil de vencer num texto de jornal, tamanha é a mistura sugerida. O que Janelle, norte-americana de apenas 24 anos, consegue fazer é criar algo que soa novo, mas com um quê de familiaridade. Faz um som "cabeça" muito dançante. Uma trilha perfeita para o verão que está por vir.

Serviço:

The Archandroid, de Janelle Monáe. Warner Music, preço médio: R$ 24,90. Soul.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.