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literatura

Escritor João Gilberto Noll, ganhador de cinco prêmios Jabuti, morre aos 70 anos

Autor de quase duas dezenas de livros, Noll escreveu as obras “O Cego e a Dançarina” e “Hotel Atlântico”

  • Estadão Conteúdo
  • Atualizado em às
João Gilberto Noll escreveu quase duas dezenas de livros | Rodolfo Buhrer/Arquivo/Gazeta do Povo
João Gilberto Noll escreveu quase duas dezenas de livros Rodolfo Buhrer/Arquivo/Gazeta do Povo
 
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Escritor reconhecido e admirado muito além das fronteiras do Rio Grande do Sul, João Gilberto Noll teve sua morte confirmada pela família na manhã desta quarta-feira (29). O velório será no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre, na capela 9, e o enterro ocorre às 18h. As causas da morte não foram divulgadas.

Autor de quase duas dezenas de livros, vencedor de cinco Prêmios Jabuti, Noll ganhou notabilidade nos anos 1980 com trabalhos, especialmente contos, profundos e marcantes, como “O Cego e a Dançarina”, “Hotel Atlântico” e “Harmada” (1993).

“Descanse, mestre. O Brasil perdeu hoje um dos seus grandes escritores”, escreveu no Facebook o escritor Carlos Henrique Schroeder. “Noll e seus sujeitos deslocados sempre estiveram à frente do seu tempo.”

Ricardo Lisias também usou as redes sociais para comentar a perda, que classificou como gigantesca. “Estou para publicar um ensaio mostrando como ele e Sergio Sant’Anna foram importantes para a literatura brasileira dos anos 1980, sobretudo para a constituição de formas novas diante da redemocratização”, escreveu Lisias. “Não tenho dúvidas de que “Alguma coisa urgentemente” é o melhor conto publicado no Brasil desde 1982”, finalizou.

“Fiquei sabendo da notícia quase agorinha mesmo. Não tenho muito o que dizer. Sou um leitor apaixonado e interessado pelas coisas que João Gilberto Noll escreveu. Estou meio amarrotado com a notícia da sua morte, que não sei mais o que dizer mesmo...”, disse Humberto Werneck, escritor e colunista do Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo.

O escritor e jornalista José Castello também se manifestou: “Há dois meses, mais ou menos, eu escrevi um e-mail para ele reclamando que estava sumido, e pedindo que me desse notícias, que não ficasse tão desaparecido. Noll era assim; se você não escrevesse ou ligasse para ele, Noll não te procurava, não te dava notícias. Não era por maldade, por não gostar da gente. Era o jeito recolhido dele, da vida secreta que ele tinha, um cara introvertido. Depois, ele entrou em contato para dizer o seguinte: ‘Poxa, Castello, você me conhece há tantos anos, e ainda não se habituou com meu jeito’. Gostar de Noll era isso: habituar a gostar dessa vida esquiva que ele levava, desse mundo secreto de existir, como mesmo ele dizia. (...). Foi embora um gênio, que para mim era o maior narrador vivo da literatura brasileira, sem chance de comparação com ninguém.”

Suzana Amaral, cineasta e diretora de “Hotel Atlântico”, de 2009, filme adaptado da obra homônima de Noll, escreveu: “Lamento muito. (...) Tive dois encontros com ele, era um escritor que gostava muito. Eu procuro não ter muito contato com os escritores que vou adaptar, até porque faço do meu jeito, e o contato próximo com eles termina atrapalhando. Com Noll não foi diferente, ele não participou em nenhum momento do roteiro que fiz de Hotel Atlântico. Na segunda vez que nos encontramos foi para mostrar o filme pronto. Levei-o para ver o longa na pré-estreia. Ele ficou lá calado do meu lado, o tempo todo. No final, disse que foi a melhor coisa que fizeram de um livro seu. É meu melhor filme, gostei muito do que fiz da obra de João Gilberto Noll, que sabia criar belas histórias, uma perda grande.”

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