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LITERATURA

Livro de Cléo Busatto reflete sobre a alma adolescente

“A Fofa do Terceiro Andar” conta a história de Ana, que sofre bullying por ser gordinha até aprender a lidar consigo mesma

  • Helena Carnieri
Cléo Busatto cria personagem que usa a escrita de forma terapêutica, como parte do processo de aceitar a si mesma. | Mirella Pasqual/Divulgação
Cléo Busatto cria personagem que usa a escrita de forma terapêutica, como parte do processo de aceitar a si mesma. Mirella Pasqual/Divulgação
 
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O bullying é um tema do momento, mas “A Fofa do Terceiro Andar” passa pelo assunto só para desembocar em algo maior, a própria visão de mundo e de si mesma de Ana, a protagonista.

O livro será lançado nesta sexta-feira (3), na Livraria Cultura do Shopping Curitiba.

A jovenzinha imaginada por Cléo Busatto vive na narrativa três anos de sua adolescência, período que ela decide registrar num caderno de 200 páginas.

Logo no início, uma queda desastrada no refeitório da escola, seguida pela maldosa gozação dos colegas, faz com que ela deseje encerrar a vida por ali mesmo.

Graças à figura presente e consciente da mãe, ela supera uma depressão momentânea e começa uma lenta caminhada rumo a gostar de si mesma.

A escrita se torna terapêutica em seu processo entre odiar o corpo gordinho, frustrada com regimes que não funcionam, e aprender hábitos melhores, aceitando sua estrutura física.

É muito mais uma reflexão da personagem do que ação. “Todos meus livros têm uma historinha e esse não tem história! Não sei de onde surgiu”, diz a escritora à reportagem.

Muito de Ana foi inspirado nela mesma, que recorda alguns momentos de humilhação na infância, não por ser gordinha, mas baixa e magra. “Acho que, com o livro, eu estava honrando a minha adolescência e até começando a superá-la, redimi-la”, pondera.

A compaixão com os adolescentes em geral perpassa a obra. “Eles ainda não têm muitos argumentos, estão tateando sem recursos internos para lidar consigo mesmos”, diz.

“Contação”

Antes da “Fofa”, como tem chamado carinhosamente o livro, Cléo deu à luz outras 22 obras, entre infantis, teóricas e obras coletivas.

Foi há algum tempo que ela assumiu a alcunha de “contadora de histórias”, depois que confirmou com parentes a mitologia familiar de que ela começou a ler com três anos e meio. E parece que foi assim mesmo, algo que hoje faz parte de sua identidade.

Catarinense formada em Belas Artes, Teoria Literária e Teatro, Cléo voltou a Curitiba em 1998 e orgulha-se de haver ajudado a formar muita gente que hoje trabalha com contação de histórias. Ouvi-la narrando uma das suas é uma experiência inebriante.

A maior parte dos contos embarca para o mundo da fantasia, mas a “Fofa” não é sua primeira personagem realista. Antes, houve “Pedro e o Cruzeiro do Sul”, em que a autora contava as memórias de um menino de 9 anos.

Memórias é algo de que ela entende, visto que já preencheu 37 cadernos (de 200 páginas cada) com as suas. “Consigo traçar minha trajetória lendo os cadernos, e percebo minha transformação”, diz Cléo.

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