Irreverente, Fabrício Carpinejar explica como consegue lidar com a complexidade dos relacionamentos: “sofri para caramba, me regenerei e sofri mais um pouco”, contou à reportagem. Em entrevista, o gaúcho falou ainda sobre seu novo livro, “Para Onde Vai o Amor”, lançado recentemente, e garantiu: “a longevidade mudou nossa rotina amorosa”.

Dramas da separação guiam novo livro de Fabrício Carpinejar

Sem apelar para o ridículo, “Para Onde Vai o Amor” faz uma reflexão sobre os destinos incontroláveis de uma vida a dois

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Seu novo livro fala muito sobre a separação. O ato, o antes e o depois. Por que você decidiu falar sobre esses dramas?
Porque é um livro absolutamente real. Não é aquele conto de fadas, até porque todo o relacionamento vai ter seus altos e baixos, vai ter essa instabilidade cardíaca. É um livro que fala sobre o casal que tenta se separar, passa por todos esses estágios, a raiva, o foda-se, o esnobismo, a recaída, mas não consegue se separar. Hoje em dia, as pessoas estão com pressa de fazer tudo. Enterram um relacionamento ainda vivo. É estranho porque existem movimentos dentro do amor que são absolutamente contraditórias. Quem quer reconciliação fala mal do ex, e quem não quer fala bem. A gente sempre joga contra as aparências e isso faz a maior confusão entre os amigos e familiares. Os casais matam o mundo, mas não conseguem matar o amor. Tentam destruir todas as relações próximas e não conseguem destruir o amor.

Você destrincha as questões de relacionamento tão bem que, quando a gente lê seus textos, parece que você é o sujeito de todas as histórias....
Sofri para caramba, me regenerei e sofri mais um pouco. O que a gente precisa entender é que a gente não aprende com a dor. A dor é fechada, só serve para aquele relacionamento. Outro relacionamento é outro idioma, outro dialeto. O que acho que perturba muito as pessoas é que elas entram de uma união com a cabeça de solteiro. Tu entras numa união pesando que tu sabes quem tu és e esquece que uma relação transforma o sujeito. Tu tens que ver o que tu te tornas dentro de um relacionamento. Um relacionamento muda qualquer alma.

O que você pretende provocar com seus textos?
A minha solidão é egoísta, essa coisa de não facilitar a vida do outro. A gente está lidando com um desafio e não pode se abster dessa essa encruzilhada amorosa. Não é fácil amar hoje em dia.

Por quê?
A longevidade mudou nossa rotina amorosa. Nossos avós poderiam ficar num casamento em 30 anos. A gente vai viver até os oitenta anos. A gente tem capacidade de ter três casamentos longos. E quem será o amor da sua vida? É um tumulto. É uma perspectiva perturbadora. Tu ficas indeciso sobre quem é realmente o grande amor da sua vida. Por isso, esse livro é um pouco uma nomenclatura da imperfeição. Tu vais buscar alguém que vai te desafiar, que vai te perturbar, porque não existe essa questão da cara metade, que vai te perturbador. E tem ainda essa concepção purista de casamento longo. Hoje as pessoas estão quebradas, vivem amores zumbis, que é esse amor que tu tentas fingir que tá morto, mas que ele continua te perseguindo. Ele não morreu. Você não consegue sorrir, se alegrar. É uma espécie de felicidade forçada, de tentar mostrar para o outro que eu consigo.

Seus livros são bem recepcionados pelos homens?
As mulheres me amam. Os namorados dessas mulheres me odeiam. O mesmo índice de aprovação pelas mulheres é proporcionalmente igual ao meu índice de rejeição pelos homens. Eu digo que tenho uma sensibilidade simultânea. Eu não tenho vergonha de me escancarar de me mostrar. Não vou ficar me guardando para o testamento. É evidente que se as mulheres chegam para seus respectivos, vão falar de mim e eles não vão gostar. Para as mulheres, eu sou um sedutor. Para os homens, eu sou um gay.

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