O gênero era rock. Era fácil perceber a tendência no figurino do público que aguardava ansioso pelo início do show do The Offspring no Curitiba Master Hall, na noite desta quarta-feira. No palco, os norte-americanos quarentões mostraram que já não se vestem mais como seus fãs.
Com alguns quilinhos a mais, o vocalista Dexter Holland vestiu um jeans e camiseta. Greg Kriesel, o baixista, se perderia em meio à concepção de um "nerd" caso não estivesse com seu instrumento em mãos. O mais próximo, e também mais simpático, é Noodles, que exaltou ainda mais seus cabelos longos com um grande ventilador localizado a sua frente durante o show que também estava presente em frente aos outros integrantes.
Os fãs curitibanos da banda Offspring ganharam um presente. A apresentação em Curitiba, uma das seis cidades que recebeu o show da banda nesta turnê (o último será em Fortaleza no dia 15 deste mês), contou com cerca de três mil pessoas não por falta de venda de ingressos, mas sim pela quantidade suportada pela casa noturna.
A apresentação na capital paranaense em nada se compara com a feita, por exemplo, na cidade de Belo Horizonte (9 de novembro), onde o grupo foi o último a tocar em um domingo que começou com outras seis bandas no line-up, e recebeu por volta de 30 mil pessoas.
A proximidade possibilitou brincadeiras e maior interação do grupo com a platéia. Ao invés de um show intensamente técnico, mecânico e rígido, a banda se soltou, sorriu e pulou. "De todas as platéias no Brasil, vocês são a mais sexy", disse Noodles. Dexter aproveitou a deixa para mais um recado: "vocês são as platéias mais divertidas", comentou.
Hoje com o nome consolidado, o Offspring se fez nos anos 90 a partir do lançamento do disco "Smash", que figura até hoje no número 1 de álbuns mais vendidos dentro de uma gravadora independente. Alguns fãs cresceram, mas boa parte daqueles que assistiram à apresentação desta quarta não eram nem sequer nascidos quando a banda começou em 1984.
Dos primeiros CDs da banda, o repertório contou com músicas como "Self Esteem", "Come Out And Play", além de sons como "Staring at the Sun" e "Pretty Fly". A idade em nada atrapalhou, e houve fôlego também por parte do público em canções do novo álbum como "Youre Gonna Go Far, Kid" e "Hammerhead".
Para cada música, uma nova guitarra. A mudança de instrumentos de Noodles, Dexter e Greg são recorrentes. Um violão acompanhou uma versão pouco mais acústica de "Why Dont You Get a Job" e também a recente "Kristy, are you doing okay?", do mais recente álbum de inéditas ("Rise and Fall, Rage and Grace"). "Bad Habit" foi uma das canções que recebeu tratamento especial, com uma introdução diferenciada que abusou do baixo e da guitarra.
Em 1 hora e 25 minutos de show, o público se esmagou em meio à pista de forma intencional, é claro. Como um bom show de rock deve ser.





