
O cineasta português Miguel Gomes está ministrando em Curitiba uma oficina de roteiro (já com vagas esgotadas) dentro do projeto Ficção Viva II. Hoje à noite, às 20 horas, no auditório da Museu Oscar Niemeyer, será exibido ao público, com entrada franca, seu mais recente longa-metragem, Tabu. O filme disputou o Urso de Ouro no Festival de Berlim no ano passado, onde recebeu o prêmio Alfred Bauer, destinado a obras inovadoras, e o Fipresci, da crítica internacional, para o melhor filme em competição. Também foi listado como um dos melhores do ano pelas publicações Sight and Sound (Reino Unido), Cahiers du Cinéma (França) e The New Yorker (EUA).
Apos a exibição, haverá debate com o cineasta, um dos nomes mais festejados do cinema europeu contemporâneo e diretor de A Cara Que Mereces (2004) e Aquele Querido Mês de Agosto (2008). Também estarão presentes seus corroteiristas, Mariana Ricardo e Telmo Churro.
Filmado em Moçambique, uma coprodução entre Brasil, França e Alemanha, Tabu reconstitui, de certa maneira, o início do fim do império de Portugal no continente africano. Brinca com referências cinematográficas, sobretudo à obra do mestre expressionista alemão Friedrich Wilhelm Murnau (1888-1931), diretor de clássicos como Nosferatu, para contar em duas partes a história de Aurora (citação explícita ao primeiro filme de Murnau em Hollywood), personagem vivida por Ana Moreira, uma jovem de origem portuguesa que herda uma fazenda em Moçambique.
Após um prólogo, narrado pelo próprio diretor, a história tem início em Lisboa, quando Aurora, já uma anciã, à beira da senilidade, resolve ajustar contas com o passado. Prestes a morrer, ela pede a uma empregada, Santa, natural de Cabo Verde, que procure uma pessoa muito importante em sua vida: Gian Luca Ventura (Henrique Espírito Santo), que foi seu amante quando viveu na África e era casada com outro homem, um jovem colonizador vivido pelo brasileiro Ivo Müller.
Caberá a Gian contar a história desse amor proibido e trágico, que também esconde um crime, em uma trama que também faz uma crítica velada, ainda que contundente, ao colonialismo.







