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“Quem sabe o que se passa na mente sombria e maluca de James Hetfield quando ele escreve as letras?” | Andre Durao/AFP
“Quem sabe o que se passa na mente sombria e maluca de James Hetfield quando ele escreve as letras?”| Foto: Andre Durao/AFP

Lars Ulrich entra na sala com um palito de dente na boca e pergunta brincalhão de onde cada um de nós é. Estamos no lendário estúdio Electric Lady, em Nova York, e o baterista do Metallica chega animado para mostrar à imprensa internacional as doze canções do novo disco ‘Hardwired... To Self-Destruct’. O décimo álbum de estúdio chega às lojas no próximo dia 18, após um hiato de oito anos sem que a banda lançasse disco próprio. Nesse tempo, além do trabalho anterior (Death Magnetic, 2008), o Metallica gravou com Lou Reed (Lulu, 2011) e esteve ocupado com a realização de um filme (Through The Never, 2013).

Confira entrevista com Lars Ulrich

O anúncio do álbum ocorreu no mesmo dia em que o Metallica fez um concerto para promoção do disco. Mais tarde, durante o show, o guitarrista, vocalista e letrista James Hetfield cumprimentava o público nova-iorquino. “De onde vocês são?”, perguntava e respondia a si próprio. “Somos do aqui e agora.”

Como atestou a performance, ‘Hardwired... To Self-Destruct’ é a banda em momento único dos seus 35 anos de carreira, mostrando de onde veio e aonde chegou. Em meio a toda pressa de cada faixa no disco, dá para ouvir quatro cinquentões - três californianos e um dinamarquês - tocando confortavelmente com raiva e precisão.

“Eu sinto que sonoramente este é o melhor álbum que o Metallica já fez”, diz o baixista Robert Trujillo.

“Eu sei que demorou um pouquinho, mas ainda há energia criativa na banda e, enquanto nossos corpos aguentarem, vamos continuar tocando e gravando. Este é um novo começo para o Metallica.”

Com letras abordando a temática conflito-perdas-vida-morte, o álbum marca uma reconexão do Metallica com suas raízes, já ensaiada no disco anterior e mantém o típico mote niilista da banda nas letras. A primeira faixa, Hardwired, dá o tom da pancada sonora que acompanha o resto do disco. “Estamos f.../ Sem nenhuma sorte/ Programados para a autodestruição”, diz o refrão.

“Tocar bateria para mim é como se fosse meu ticket de entrada na música. O que mais gosto é o processo criativo, a produção e a gravação do disco”, afirma Lars Ulrich, após a apresentação da banda, em Nova York.

O baterista ensaia uma explicação sobre as músicas do novo disco mas desconversa, ainda mantendo um palito de dente na boca. “Quem sabe o que se passa na mente sombria e maluca de James Hetfield quando ele escreve as letras?”

Produzido por Greg Fidelman, que colaborava como engenheiro de som da banda há dez anos, o álbum traz o Metallica em plena forma, descendo a mão nos instrumentos para fazer muito barulho sem medo de ser feliz. Finalizado apenas duas semanas antes de seu anúncio oficial, o disco tem riffs agressivos, batidas rápidas, melodias trituradoras - é metal e é pesado.

De volta à audição oficial do álbum no Electric Lady, um sujeito vestido de preto sentado no sofá bem de frente para as caixas de som balança discretamente a cabeça com seus óculos escuros. É Marky Ramone despercebido entre a imprensa presente. “Me lembra o Black Album”, afirma, baixinho, o ex-baterista dos Ramones em rápida declaração ao Estado. “Gostei do som.”

O dinamarquês Lars Ulrich, fundador e baterista do Metallica | Sergio MoraesReuters

‘Muito do que Hetfield escreve é ambíguo’

O dinamarquês Lars Ulrich, fundador e baterista do Metallica, fala sobre o álbum ‘Hardwired To Self-Destruct’

O dinamarquês Lars Ulrich, fundador e baterista do Metallica, conversou com o jornal “O Estado de S. Paulo” em Nova York, em entrevista exclusiva após um show da banda, que lança no dia 18 o álbum ‘Hardwired To Self-Destruct’.

Por que o Metallica demorou tanto para lançar um novo disco?

Outras coisas entram no caminho. Passamos quase três anos viajando com o Death Magnetic (álbum anterior da banda, de 2008). Depois, em 2011, fizemos um disco com Lou Reed (Lulu, 2011) e um filme em 2012. Aí começamos esse novo disco no verão de 2014. Tocamos em alguns festivais, como Rock in Rio, Glastonbury, Orion e Lollapalooza... O tempo voa.

O Metallica anunciou recentemente que vai tocar dois dias em São Paulo no ano que vem. Como é tocar no Brasil?

É demais. Por isso que a gente sempre volta. A gente já fez mais Rock in Rio do que qualquer outra banda, e não apenas os que aconteceram no Rio. Temos uma relação de longa data com amigos brasileiros desde 1989, quando tocamos por três noites no Rio e tem sido ótimo. Nunca fizemos Lollapalooza na América Latina e os organizadores do festival foram os mesmos que fizeram o Orion Festival e são nossos amigos.

Sobre o que falam as letras do novo álbum?

O disco é sobre o que você quiser que seja. Quem sabe o que se passa na mente sombria e maluca de James Hetfield quando escreve as letras? Muito do que ele escreve é ambíguo e fala sobre vulnerabilidade, conflitos internos e encaixa na música. Mas, na verdade, nem eu mesmo sei e tenho que passar um tempo tentando entender sobre exatamente o que ele escreve. Mas, uma vez que você compartilha arte com outras pessoas, aquilo está aberto para qualquer tipo de interpretação.

Como é ter Greg Fidelman assinando agora como produtor do novo disco? Isso trouxe alguma diferença no som da banda?

Ele era o engenheiro de som do Rick Rubin (produtor de Death Magnetic, 2008) e escolhemos trabalhar com ele por causa das gravações que já havia feito. Basicamente, ele fez tudo o que o Metallica fez nos últimos dez anos. Então, já era hora dele se tornar nosso principal produtor, já que tem uma ideia clara de como o Metallica deve soar e o tamanho do peso, mas mantendo o som solto.

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