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Plant (em foto de 2010) negou ter criado “Stairway To Heaven” sob qualquer lembrança consciente de “Taurus”. | Phil King/Wikimedia Commons
Plant (em foto de 2010) negou ter criado “Stairway To Heaven” sob qualquer lembrança consciente de “Taurus”.| Foto: Phil King/Wikimedia Commons

Para tentar provar que “Stairway To Heaven” é original, a defesa do Led Zeppelin contra uma acusação de plágio comparou o maior clássico da banda a “Insensatez”, de Tom Jobim, segundo a revista “Rolling Stone”, que acompanhou o julgamento na última sexta (17).

A menção à canção brasileira, uma das mais famosas parcerias de Tom com Vinícius de Moraes, foi feita por Lawrence Ferrara. um musicólogo e professor da Universidade de Nova York, convidado por Robert Plant e Jimmy Page para argumentar que o riff de abertura de “Stairway” é uma progressão cromática comum e usada há centenas de anos por todos os tipos de músicos.

Jimmy Page e Robert Plant, ex-integrantes da banda inglesa Led Zeppelin, são acusados de plágio por Michael Skidmore, representante legal de Randy Wolfe, já morto, guitarrista da banda americana Spirit.

A acusação: o “riff” de guitarra na abertura de “Stairway” teria sido roubado de “Taurus”, de 1967, uma composição de Wolfe.

A música levou a banda inglesa a um paraíso de pelo menos US$ 58,5 milhões em direitos autorais e, desde 2014, ao inferno da ação por plágio .

Litígio

O julgamento teve início no dia 14, no Tribunal Federal de Los Angeles, e promete um debate longo até que se chegue a uma conclusão.

De um lado, os acusadores reivindicam que Randy Wolfe, também conhecido como Randy California, seja reconhecido com coautor da música. Ao mesmo tempo, contrataram um especialista em royalties provenientes de composições musicais, Michael Einhorn, para testemunhar em favor da causa de Skidmore/Randy Wolfe. Como a dupla Page/Plant teria faturado US$ 58,5 milhões com a música, uma reparação em dinheiro poderá ser fixada pelo juiz ao final do julgamento.

Essa progressão, esse movimento, tem sido usado há 300 anos, datando do século 17. No século 20, antes de Taurus, um grande número de músicos populares, artistas e compositores também usou essa progressão. Trata-se de um ‘bloco de construção musical’, que não pode ser considerado uma propriedade intelectual, mas um ‘lugar comum’ musical. Não se trata de alguma coisa que uma pessoa possa ser dona, mas algo que compositores de todos os gêneros musicais fazem.

Lawrence Ferraraprofessor de música da Universidade de Nova York

Até lá, porém, muitos depoimentos são aguardados. No dia 15, Jimmy Page depôs e disse que não se lembra de já ter ouvido algum álbum do Spirit. Um dia depois, John Paul Jones, ex-baixista do Zeppelin, hoje com 70 anos, também depôs a favor de seus antigos companheiros de banda.

Em depoimento nesta terça (21), Plant negou ter criado “Stairway To Heaven” sob qualquer lembrança consciente de “Taurus”.

Ele admitiu ter assistido a um show da Spirit em Birmingham em 1969, e afirmou que “Fresh Garbage” é a única canção da banda americana que o Led Zeppelin tocou (em shows de uma turnê de 1968).

O vocalista citou ainda um acidente de carro que sofreu ao sair do show da banda, alegando que sua falta de lembranças sobre a música pode ser parcialmente atribuída ao episódio.

300 anos

Para defendê-los, Jimmy Page, 72 anos, e Robert Plant, 67 anos, chamaram o musicista Lawrence Ferrara, professor de música da Universidade de Nova York, para um depoimento não muito usual.

O depoente não apenas falou como também tocou piano para sustentar seus pontos de vista. Disse que o riff de abertura de Stairway to Heaven não passa de uma muito comum progressão cromática menor descendente usada há mais de 300 anos e, desde então, por todo tipo de músicos populares.

“Essa progressão, esse movimento, tem sido usado há 300 anos, datando do século 17. No século 20, antes de Taurus, um grande número de músicos populares, artistas e compositores também usou essa progressão. Trata-se de um ‘bloco de construção musical’, que não pode ser considerado uma propriedade intelectual, mas um ‘lugar comum’ musical. Não se trata de alguma coisa que uma pessoa possa ser dona, mas algo que compositores de todos os gêneros musicais fazem”, disse Ferrara à corte.

Tom Jobim

E não parou por aí. O professor de música afirmou que essa mesma técnica musical, o mesmo tipo de progressão cromática menor descendente pode ser observada em composições famosas como “My Funny Valentine”, de 1937, composta por Richard Rodgers e Lorenz Hart, em “Michelle”, dos Beatles, composta em 1965, e em “Music to Watch Girls By”, de Bob Crewe, lançada em 1966 – ou seja, bem antes de Taurus.

Para encerrar esse desfile de comparações, Ferrara mostrou um trecho de “Insensatez”, música de Antônio Carlos Jobim, de 1961, que, segundo o professor, também teria usado o mesmo tipo de progressão cromática presente em “Stairway to Heaven”.

Se a moda lançada pelos advogados do guitarrista do Spirit pegar, as similaridades demonstradas pelo professor Ferrara ao juiz federal de Los Angeles poderão dar combustível para que outros compositores processem o Led Zeppelin por plágio. A revista Rolling Stone, por exemplo, ironizou a situação e até aventou a insensata hipótese de a família Jobim também acionar seus advogados.

Compare“Taurus”, da banda Spirit, e “Stairway do Heaven, do Led Zeppelin:

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