
A dupla Chitãozinho & Xororó é uma testemunha privilegiada das mudanças que aconteceram na música sertaneja desde os tempos em que os irmãos de Astorga (PR) conheceram ídolos como Tonico & Tinoco.
Desde o primeiro disco, Galopeira (1970), os cantores foram acompanhando as transformações: absorveram as influências do country americano, incluíram teclados e guitarras na música, começaram a ser chamados para cantar na televisão, emplacaram música de abertura de novela.
Agora, em tempos de sertanejo universitário, novamente não ficaram para trás e lançaram um disco com elementos modernos. Trata-se de Do Tamanho do Nosso Amor, que traz sucessos como "Sinônimos", "Vida Marvada" e "Evidências" repaginados, cujo show a dupla apresenta neste sábado, no Guairão.
"Sentimos que a maioria das nossas músicas antigas estavam com um som um pouco velho, não tinha essa linguagem mais contemporânea", conta Chitão, em entrevista por telefone para a Gazeta do Povo. "Nós temos essa característica de, a cada período que atravessamos, nos adaptarmos e convivermos em harmonia com isso. É um fator importante. Por isso ainda estamos fazendo shows, viajando", diz o cantor.
Chitãozinho destaca que este é um show "bem high tech", mas que valoriza também o lado mais acústico e rural. É o que acontece em músicas como "No Rancho Fundo", que a dupla canta em frente a um telão que reproduz uma porteira de fazenda. "Está fazendo muito sucesso onde passa porque as pessoas matam a saudade", diz.
O cantor concorda que este caráter rural mais romântico é uma das características que diferencia a dupla dos trabalhos mais novos, que são elogiados por Chitãozinho com algumas ressalvas. "É um movimento muito importante para o futuro da nossa música. Mas o que vai ficar são os talentosos, as músicas mais românticas, que falam mais de perto. Tem muita coisa dançante que é passageira", dispara.







