Sabe esses blockbusters que a cada primavera/verão americano (inverno no Brasil) tomam de assalto todos os cinemas do mundo? A existência deles tem alguns "culpados", entre eles um cara chamado George Lucas. Há 30 anos, ele mudou a história do cinema com o lançamento de um filme do qual ninguém esperava muita coisa na época: Star Wars, Guerra nas Estrelas no Brasil.
Eram os anos 70 e os filmes feitos por Hollywood, em sua maioria, tratavam de temas sérios e pesados o fracasso Guerra do Vietnã fazia sentir seus efeitos no ânimo da maior nação do Ocidente. Então, chega um jovem cineasta, com apenas dois filmes relativamente elogiados no currículo a ficção THX 1138 (1971) e o adolescente American Graffiti (1973) , e propõe a criação de uma saga envolvendo um jovem herói, cavaleiros Jedi (o quê?), robôs, naves e seres espaciais, todos lutando em uma guerra intergaláctica.
Apenas um estúdio acreditou no projeto (Fox) mesmo assim não muito , oferecendo um orçamento bem abaixo do pedido por Lucas, mas cometendo o que hoje seria considerada uma grande mancada: concedeu ao diretor todos os direitos sobre o filme. Era o ano de 1976. No anterior, Steven Spielberg já havia iniciado o conceito de blockbuster com o lançamento de Tubarão, abrindo caminho para um gênero novo de filme, feito para a diversão de gigantescas platéias.
Lucas pegou sua saga que tinha seis capítulos e decidiu iniciar a filmagem pelo quarto episódio, o qual tinha mais doses de aventura e ação, com mais chances de cativar a audiência. Star Wars foi lançado em 25 de maio de 1977 e o resto, como se sabe, é história.
O filme agradou em cheio o público, aumentando cada vez mais sua audiência depois da estréia. Além da bilheteria, Lucas ainda lucraria imensamente com o merchandising do filme, vendendo todo tipo de produto relacionado aos personagens e objetos da produção. Daí vem sua "culpa" citada no início deste texto. O filão descoberto pelo cineasta é hoje explorado ao máximo pelos grandes estúdios, que investem e lucram cada vez mais em seus lançamentos, muitos de gosto duvidoso e considerados mero escapismo.
Star Wars era escapismo? Para época, não deixava de ser. Mas é necessário reconhecer que Lucas fez algo realmente grandioso e importante para o cinema, resgatando sua magia no momento em que todos pareciam ter esquecido dessa característica principal da sétima arte.
Em seu roteiro, o diretor reunia temas universais pinçados de várias obras e gêneros literários. A história futurista, que na realidade acontece no passado ("Há muito tempo, numa galáxia muito distante"), apresentava o rapaz Luke Skywlaker (Mark Hamill), habitante de um pequeno planeta que será a maior esperança de sua galáxia na luta contra um poder tirânico representado por um ser maligno: Darth Vader. Completada nos dois episódios seguintes, a jornada do herói se juntava a temas como a luta do bem contra o mal, a crença e a esperança de um mundo melhor, e muita aventura proporcionada por fantásticos efeitos especiais para a época Star Wars recebeu seis Oscars técnicos (edição, figurino, direção de arte, som, efeitos visuais e trilha sonora original, está última a cargo do grande John Williams).
Naves espaciais se digladiavam no espaço em batalhas sensacionais e ruidosas mas o som não se propaga no vácuo do espaço, dirá um espectador mais chato; não importa, Star Wars é cinema, não realidade! Como esquecer o vôo de Luke para destruir a Estrela da Morte, a Millenium Falcon de Han Solo, a luta de sabres de luz entre Obi-Wan Kenobi (Alec Guinness) e Darth Vader, o vilão mais adorado de todos os tempos?
Com a Industrial Light and Magic, criada especialmente para desenvolver o conceito visual de Star Wars, Lucas revolucionou a utilização de efeitos especiais no cinema. O trabalho da empresa evoluiu nas décadas seguintes, dando suporte aos novos episódios da saga Star Wars e também aos principais filmes de ação e aventura dos últimos anos, de Jurassic Park a Piratas do Caribe.
Dezesseis anos após o final da trilogia sagrada para os fãs que reúne os episódios 4 (Uma Nova Esperança, o Star Wars original), 5 (O Império Contra-Ataca) e 6 (O Retorno de Jedi e seu velho erro de tradução para o português, pois deveria ser do Jedi) , Lucas iniciou uma nova trilogia, contando a história de Anakin Skywalker/ Darth Vader em A Ameaça Fantasma (Episódio 1), O Ataque dos Clones (2) e A Vingança dos Sith (3). No geral, os novos capítulos ficaram aquém dos realizados nas décadas de 70 e 80 (principalmente os dois primeiros), mas ainda assim serviram para confirmar a verdadeira importância da saga criada por Lucas: um marco do cinema e da cultura pop e mundial.



