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O ano de Felipe Neto

Vlogger está investindo na carreira de empresário

  • Fábio Cherubini/Gazeta do Povo
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Felipe Neto não reclama mais tanto quanto antes. Se há dois anos, quando criou o canal Não Faz Sentido (http://youtube.com/user/felipeneto), o garoto carioca de óculos escuros e cabelos levantados metralhava pelo menos uma vez por semana tudo o que era mais adorado pelos adolescentes na época, seja o rock colorido do Restart ou os livros e filmes da Saga Crepúsculo, agora o vlogger de 25 anos aparece no canal mais ou menos a cada dois meses com uma nova queixa. Mas há uma razão para isso.

Embora não tenha desistido da carreira de ator, Felipe decidiu se dedicar de corpo e alma a um projeto ambicioso: profissionalizar a produção de vídeos para o YouTube. Desde 2012 a frente da produtora de vídeos Parafernália e da network Paramaker, uma espécie de agência que administra a carreira dos novos Youtubers, o artista emprega 30 pessoas em seu escritório, no Rio de Janeiro, e tem mais de 500 canais sob a sua tutela.

“A meta é crescermos 800% até o segundo trimestre de 2014. Nós queremos ajudar a revolucionar a internet por meio da profissionalização do mercado, gerando novas oportunidades”, declarou ele, num tom típico de homem de negócios, em entrevista por telefone. “Mas eu sinto falta de atuar. Ao longo da minha vida, sempre que estive distante [da vida artística] eu enfrentei dificuldades na parte emocional. Só que o tempo gasto com o lado empresarial é grande.”

Recentemente, Felipe encontrou um tempo na agenda para dar as caras na série A Toca, a primeira produção feita exclusivamente para a Netflix – serviço de streaming de vídeos pela internet – fora dos EUA; e também para publicar o seu primeiro livro, Não Faz Sentido – Por Trás das Câmeras, em que conta os bastidores da sua carreira meteórica e dá dicas de como se dar bem na internet.

Milionário

A criação do vlog que o catapultou para o sucesso se confunde com a evolução da produção de vídeos de entretenimento para o YouTube no Brasil. Ao lado de PC Siqueira, dono do canal Mas Poxa Vida (http://youtube.com/user/maspoxavida), Felipe foi um dos primeiros nomes a construir uma carreira pela rede social.

Em 2012, o Não Faz Sentido alcançou a façanha de chegar à marca dos um milhão de inscritos, fato até então inédito no país. Os acessos astronômicos a cada vídeo postado – sempre na casa dos milhões – e a proximidade com o público adolescente fizeram dele uma webcelebridade requisitada pelas redes de tevê. Em pouco tempo, o rapaz ganhou um quadro no programa Esporte Espetacular, da Globo, e um programa no canal Multishow. Mas depois da experiência nas mídias tradicionais, Felipe resolveu largar tudo pela carreira na internet.

“O YouTube está mostrando que os artistas não precisam da tevê. O YouTube era visto como uma vitrine no início, mas agora é uma realidade”, reflete o empresário, que com as duas empresas já faturou mais de R$ 1 milhão, quase todos reinvestidos nos negócios, garante.

Vencida a batalha para ganhar a vida na rede, Felipe trabalha agora para aumentar a qualidade dos vídeos e convencer os anunciantes de que investir no YouTube vale a pena. “Nós ainda enfrentamos uma certa resistência [dos anunciantes], mas a cada dia temos mais abertura. As empresas querem investir na gente”, conta ele, que não só assiste às mudanças no consumo de conteúdo no país, mas também ajuda a cria-las.

Profissionalização de canais atrai mais investimentos

Eles podem não ter a mesma estrutura das redes de televisão, mas muitos canais do YouTube no Brasil estão investindo alto na qualidade das produções de vídeos. E o resultado disso é o aumento dos anúncios e a possibilidade de se criar uma carreira paralela aos meios tradicionais. Nomes como Gregório Duvivier, do canal Porta dos Fundos, e PC Siqueira, do canal Mas Poxa Vida, são alguns desses exemplos.

Em Curitiba, a vlogger Luisa Clasen, de 22 anos, segue por um caminho parecido. Dona do canal Lully de Verdade (http://youtube.com/user/lullydeverdade), em que comenta sobre moda, cinema e literatura, Luisa tem mais de 71 mil inscritos e três milhões de visualizações.

O resultado do grande número de acessos e do reconhecimento online e offline foi a procura de marcas locais e até de grandes agências de publicidade para anunciar no canal. “As empresas estão vendo que a internet faz barulho. Elas já tinham descoberto os blogs e agora estão descobrindo os vídeos. No blog você tem que ter paciência para ler, mas no YouTube não. E ele atinge desde crianças até idosos”, afirma Luisa.

Para a gerente de parcerias estratégicas do YouTube, Sandra Jimenez, outro indicativo de que as produções para o site estão amadurecendo no Brasil é o fortalecimento das networks, que são as empresas responsáveis por ajudar na produção dos vídeos, na prestação de serviços como consultorias jurídicas, por exemplo, e por fazer o meio de campo entre os canais e os anunciantes.

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