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O cinema em páginas

Milton Durski exibe sua coleção com todos os números de Revistas SET no saguão do Cineplus Jardim, no Shopping Jardim das Américas, do qual é um dos sócios

  • Annalice Del Vecchio
Miltinho coleciona as revistas de cinema Set, Cinemin, bonecos e camisetas relacionadas ao mundo da sétima arte |
Miltinho coleciona as revistas de cinema Set, Cinemin, bonecos e camisetas relacionadas ao mundo da sétima arte
 
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O cinema em páginas

O cinema faz sonhar. E muitos desses sonhos se concretizam. “Quando eu iria imaginar que, mais de 20 anos depois de assistir ET, eu exibiria a versão estendida do filme em meu próprio cinema?”, diz Milton Durski, proprietário do Cine Água Verde e Portal Plaza, no Boqueirão, e da rede Cineplus, que tem filiais em Campo Largo, Xaxim e Jardim das Américas.

Miltinho, como é mais conhecido, foi ao cinema pela primeira vez para assistir ao clássico de Spielberg aos 12 anos, no extinto Cine Condor. “Fui de vela com minha irmã e o namorado”, conta. O programa romântico foi o início de uma temporada de domingos na “Cinelândia”, região central da cidade que reunia os cinemas Condor, Plaza, Lido, Astor, Avenida e Vitória. “Ia com amigos e, ao final das sessões no Plaza, a gente se escondia no banheiro para ver o filme de novo, sem pagar”, conta.

Coleção

Voltando de um filme, em 1983, passou por uma banca e viu um exemplar da revista Cinemin, publicação sobre a sétima arte da Editora Ebal que circulou de 1982 e 1993. Sua obsessão por cinema passou a ser abastecida mensalmente com informações sobre filmes que, por vezes, ele esperava mais de um ano para assistir na provinciana Curitiba.

Em 1987, o garoto de 17 anos veria surgir outra revista de cinema: a SET (leia quadro), que assinou prontamente. Miltinho gosta das duas, mas manifesta sua preferência. “A Cinemin quase não tinha anúncios, os textos eram mais críticos, melhores. A SET é mais colorida, mais comercial. Vende cinema mesmo.”

Hoje, aos 39 anos, ele exibe orgulhosamente sua coleção em uma estante de vidro bem à vista dos frequentadores do Cineplus Jardim, no Shopping Jardim das Américas. Estão ali todos os exemplares de 21 anos de existência da SET, cerca de 200 exemplares, e outras dezenas de Cinemin, para quem quiser ver e até folhear. “É só pedir a chave do armário, que está sempre à disposição”, diz.

Sonho concretizado

Quando tomou para si a missão de reinaugurar o falido Cine Água Verde, em 1999, Miltinho não tinha ideia de como funcionava uma sala de projeção. “Achava que bastava pôr a fita cassete e apertar play”, confessa. Mesmo assim, não desistiu do sonho de reabrir o cinema que frequentava quase todos os dias, já que sua família tinha uma loja de calçados ali. “Até 1997, o cinema de lá era o segundo mais forte da cidade, aí vieram os Shoppings Estação, Curitiba e Crystal e ele fechou”, conta Miltinho, que nesta época era presidente da Associação dos Lojistas do Paraná.

Aconselhado por Zito Alves, famoso porteiro do Cine Plaza que morreu no ano passado, autor do livro No Giro da Manivela, Miltinho reabriu o Água Verde no dia 3 de agosto de 1999, com a exibição de Star Wars – A Ameaça Fantasma: Episódio 1. Enfrentou imensas dificuldades. Com a alta do dólar, vendeu carro e apartamento para não quebrar. “Hoje, as salas têm um perfil de cinema-família, com muitos filmes infantis e preço módico”, define o proprietário. Foi ali que exibiu a nova versão de ET.

A combinação sangue de comerciante e paixão pelo cinema levaram Miltinho a empreender outros negócios relacionados à sétima arte. Em 2003, ele foi convidado a abrir o primeiro cinema de bairro, o Portal Plaza, no Shopping Portal, do Boqueirão. Atento à proliferação das redes de exibição norte-americanas no Brasil, como a Cinemark e o UCI, cogitou a possibilidade de um dia criar a sua própria. “Pensei: ‘quando eu tiver dez salas vou batizá-las como Cineplus’.”

Dois anos depois, com a criação da quatro salas de cinema no Shopping Jardim das Américas, já tinha até o nome registrado: Cineplus Jardim, que se desdobraria também em Cineplus Campo Largo, no município da região metropolitana de Curitiba, em 2006, e em Cineplus Xaxim, em 2008.

Davi contra Golias

Se não pode concorrer com as redes internacionais instaladas em shoppings grandes da cidade, Miltinho busca atrair o público à moda antiga. Quem vai a um Cineplus lembra logo da expressão “bom, bonito e barato”. “O som é sempre equalizado, os preços dos ingressos e dos produtos da bombonière são baratos, a gente cuida de tudo com carinho, diz ‘olá’. O cliente se sente em casa”, diz Miltinho.

A localização próxima ao Centro Politécnico faz com que o Cineplus Jardim tenha como plateia 80% de universitários, um público exigente, que manda e-mails com reclamações e sugestões. “Como eles matam aula!”, brinca. “Mas se surpreendem porque sempre respondemos”, diz Miltinho. Quando está no Água Verde, conhece os rostos de quase toda a fila. No Xaxim, criou um camarote que, sob reserva, abriga dez pessoas em uma sala que tem até frigobar. “Se for dividido, fica barato: R$ 100 no fim de semana e R$ 70 durante a semana”, informa.

Em 1º de julho, com a estreia da primeira sessão em 3D do Cineplus Jardim, que será feita com a A Era do Gelo 3, Miltinho pretende exibir para a criançada outra coleção: 300 bonecos de filmes. Desde ET, não parou mais de sonhar. Pensa em criar no futuro um Cineplus Bar, com músicas de trilhas sonoras, decoração temática e duas salas pequenas para exibir filmes de arte. “Quero ficar no balcão, servindo as bebidas e recebendo os amigos.”

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