Penélope Cruz quer desacelerar sua carreira e fazer menos filmes a partir de agora | Eric Gaillard/Reuters
Penélope Cruz quer desacelerar sua carreira e fazer menos filmes a partir de agora| Foto: Eric Gaillard/Reuters

Francês e alemão são favoritos à Palma de Ouro

Se tudo der ocorrer conforme as previsões da crítica internacional na noite de hoje (tarde de domingo no Brasil), quando o júri presidido por Isabelle Huppert anunciar os vencedores do 62º Festival de Cannes, a Palma de Ouro deve ir para o francês Un Prophète, de Jacques Audiard, ou para o alemão Das Weisse Band, de Michael Haneke – isso se o fato de a atriz ter trabalhado com ele em A Professora de Piano não atrapalhar.

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CANNES - A estada de Penélope Cruz em Cannes, onde Los Abrazos Rotos, seu quarto filme sob direção de Pedro Almodóvar, disputa hoje a Palma de Ouro, não está sendo das mais agradáveis. Por conta de uma forte gripe – "uma gripe comum", enfatiza ela, para que não digam se tratar de A (H1N1), ela chega 40 minutos atrasada para a rodada de entrevistas. Surge num vestido vermelho justo de Dior que não está totalmente fechado atrás, sandálias de saltos altíssimos, cabelos presos num coque e diz que está se sentindo melhor. Durante a entrevista, responde de maneira breve e, quando diz não, é não, seja para falar da vontade de ter filhos ou se é perseguida por paparazzi.

A atriz relaxa um pouco quando responde sobre o filme e o diretor, de quem é amiga. É sua quarta produção com Almodóvar, mas não há previsibilidade, segundo ela. "É como se fosse uma família, mas você encontra algo novo sempre, até porque são personagens totalmente diferentes. A confiança que Pedro tem em mim e sua amizade me fazem sentir como se tivesse ganhado na loteria", afirma. Apesar de conhecer o cineasta tão bem, ela não é poupada de ensaiar tanto quanto os demais integrantes do elenco. "Nós nos entendemos pelo olhar, ele me vê e sabe o que estou sentindo, e vice-versa. Mas ele é muito preciso. Não é porque já trabalhamos juntos outras vezes que ensaio menos do que os outros. Pedro gosta de ensaiar", diz, acrescentando que nunca disse não ao cineasta e aceitou trabalhar em todos os projetos que lhe foram oferecidos por ele.

Penélope conta que Pedro Almodóvar não é de deixar para lá os pequenos detalhes. "Ele é muito específico. Comprou, ele mesmo, vários vestidos da minha personagem em Paris. Sabia qual era para qual cena. Ele escolhe cada material, cada cor", conta.

Em Los Abrazos Rotos, a espanhola interpreta Lena, uma secretária que se casa com o chefe, um poderoso empresário. Depois de algum tempo, resolve perseguir seu sonho de ser atriz e acaba escalada para a comédia Chicas y Maletas – parente próxima de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. E termina se apaixonando pelo diretor, Mateo Blanco (Lluís Homar), romance que terminará tragicamente. "Foi muito difícil fazer, porque eram três ou quatro personagens de uma vez", afirma, referindo-se a Lena e aos personagens que ela interpreta no filme dentro do filme.

Oscar

A espanhola está num momento especial. Pouco mais de dois meses atrás, ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen. "Foi incrível. Mas acho que preciso de alguns meses para entender o que aconteceu. Na hora, você fica pensando naquele dia, nas semanas anteriores, nos meses, nos anos que se passaram. Vêm à cabeça tantos rostos de gente que ajudou, que acreditou em você. Eu levei meu Oscar para muitos lugares, ele viajou um bocado, porque não consegui escolher um lugar fixo para ele ainda", contou.

Como faz muito pouco tempo desde a premiação, a atriz ainda não sabe o que acontecerá com sua carreira daqui para a frente. De concreto, há o lançamento deste Los Abrazos Rotos e de Nine, musical com Nicole Kidman, Sophia Loren, Marion Cotillard e Daniel Day-Lewis, dirigido por Rob Marshall. "Tive um mês de descanso entre um e outro", conta ela, que passava 12 horas por dia dançando. Mas não reclama. "Me sinto com sorte de poder trabalhar nos Estados Unidos e na Europa", diz. "Agradeço por estarem me dando essas oportunidades. Não acho que você possa generalizar o cinema americano, cada diretor é diferente", diz.

Entre seus sonhos de consumo, está trabalhar com Martin Scorsese, Wong Kar-wai, Ang Lee, Lars Von Trier... "Certeza? Lars Von Trier?", pergunta um jornalista. "Ele fez Charlotte Gainsbourg passar por cada coisa em Anticristo", completa. Ela fica curiosa. "Vocês viram o filme? Falaram com ele? E aí? Quero ver logo!"

No entanto, Penélope conta que se foram os tempos em que trabalhava em três ou quatro filmes por ano. "Agora quero fazer um por ano e viver a vida. É uma nova direção para mim", disse. Para ela, atuar é uma paixão, mas também um trabalho. "É saudável lembrar que se trata de um trabalho. É importante ter equilíbrio." Com o Oscar na bagagem, ela vai precisar ter esse mantra bem forte na cabeça para recusar os muitos projetos que, certamente, vão aparecer.

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