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Cinema

O universo numa história de amor

No Ano Internacional da Astronomia, o diretor Marcos Jorge exibe em Gramado seu primeiro filme, Corpos Celestes, realizado em parceria com Fernando Severo

O ator-mirim Rodrigo Cornelsen, em cena com Antar Rohit, é Francisco, personagem de Dalton Vigh criança | Divulgação
O ator-mirim Rodrigo Cornelsen, em cena com Antar Rohit, é Francisco, personagem de Dalton Vigh criança (Foto: Divulgação)

Foi preciso exercitar a paciência. O sucesso de Estômago (2007), longa-metragem que deu visibilidade nacional ao diretor paranaense Marcos Jorge, fez com que ele optasse por adiar o lançamento de um projeto mais antigo, em parceria com o diretor Fernando Severo, de Paisagem de Meninos (2003). Na verdade, seu primeiro longa-me­tragem.

Rodado entre 2005 e 2006, Corpos Celestes – contemplado pelo primeiro edital de cinema e vídeo do Governo do Paraná – finalmente poderá ser visto no 37º Festival de Gramado, que acontece entre 9 e 15 de agosto, como parte da mostra competitiva de longas nacionais.

"Imediatamente após rodar Corpos Celestes, entrei na pré-produção do Estômago e o filmei, finalizando-o em seguida. O sucesso que o filme obteve, aqui e no exterior, e sua longevidade nas telas e nos festivais, acabou nos levando a atrasar o lançamento de Celestes, pois seria pouco inteligente fazer com que um filme competisse com o outro", explica Marcos Jorge, em entrevista concedida por e-mail à Gazeta do Povo, de Los Angeles, onde negocia o remake norte-americano de Estômago e possíveis coproduções para seu próximo filme, Dois Sequestros.

A demora acabou rendendo à estreia do filme uma data auspiciosa: 2009 é o Ano Internacional da Astronomia e a 40 anos o homem chegou à Lua. Mas o que isso tem a ver com a história?

Se Estômago gira em torno de temperos e panelas para discutir o poder, Corpos Celestes usa telescópios e estrelas para falar de amor. Gastronomia e astronomia são obsessões de Marcos Jorge. "Só dá para fazer cinema com temas pelos quais você é fascinado: você precisa dedicar tanta energia e ser tão obstinado para fazer um filme que, se ele não for sobre algo que te interessa profundamente, simplesmente não sai!", diz.

História de amor

O filme conta a história do astrônomo Francisco, vivido pelo ator Dalton Vigh (escolhido, entre outras razões, por seu trabalho no Grupo de Teatro Tapa, de São Paulo), um homem que dedicou sua vida aos estudos dos astros e acabou deixando de lado sua vida pessoal. Na infância, ele é vivido pelo ator-mirim Rodrigo Cornelsen (que ficou sabendo do teste para o papel através da Gazetinha), morador de uma cidadezinha interiorana não-identificada – as cenas foram fei­­tas em Castro, Araucária, Pi­­raquara e Ponta Grossa. A segunda parte do filme, com Francisco adulto, se passa em Curitiba. Tam­­bém há cenas realizadas no Planetário do Carmo, em São Paulo.

"O filme é repleto de referências astronômicas e cosmológicas, mas tudo é tratado de uma maneira muito simples, despretensiosa e (espero) atraente para todo tipo de público", diz o diretor.

A origem do argumento de Corpos Celestes "é uma longa história". No final dos anos 90, quando ainda morava na Itália (onde viveu por mais de dez anos produzindo filmes institucionais e publicitários), Marcos Jorge escreveu o roteiro do curta O Telescópio. Nele, narrava a história de "como um menino simples do interior, ao se tornar amigo de um astrônomo amador, abria sua imaginação para a imensidão do universo e para a beleza do conhecimento". Paralelamente, inspirou-se em seus estudos de cosmologia e nas muitas visitas que fez ao Observatório Astronômico de Brera, em Milão, para criar uma história de amor entre um astrônomo e uma mulher misteriosa (vivida no filme por Caroline Holanda).

"Essa história estava no estágio de argumento quando eu a contei ao Fernando Severo. Veio dele a sugestão de combinar a história do menino com a do adulto, e ele notou que o menino de uma história poderia bem ser o adulto de outra", conta. Nascia, assim, o roteiro de Corpos Celestes, escrito com colaboração de Carlos Eduar­do de Magalhães e Mário Lopes.

Desafio para os críticos

Marcos Jorge está curioso para sa­­ber como as pessoas receberão o filme. "Devo dizer que eu compliquei bastante a tarefa dos críticos. Primeiro, Corpos Celestes é meu "primeiro" filme, pois foi rodado ‘antes’ de Estômago, mas será lançado depois. Segundo, nele divido a direção com outro cineasta. E por fim, ele é muito diferente de Estô­­mago, e embora algumas seme­­lhan­­ças possam ser encontradas entre os dois filmes, será muito di­­fícil compará-los. Minha expectativa, sinceramente, é que o filme seja visto pelo que é, e não pelo que alcancei com Estômago."

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