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Liam Gallagher (1º à direita): democracia marca o processo de composição | Divulgação
Liam Gallagher (1º à direita): democracia marca o processo de composição| Foto: Divulgação

Se pensado como álbum de es­­treia de uma banda, Different Gear, Still Speeding é um discão. Por outro lado, se lembrarmos que o disco do "novo" grupo de Liam Gallagher, Beady Eye, é apenas um trabalho sem seu irmão, Noel, sentimos falta das guitarras e dos backings do outro Gallagher, toque de classe e de talento em um grupo que está junto há nove anos. Pois Liam (voz), Gem Archer (guitarra), Andy Bell (guitarra e baixo), todos ex-Oasis, continuam juntos, agora novamente acompanhados por Chris Sharrock (bateria), e trazendo de lambuja Jeff Wooton (baixo) e Matt Jones (teclados).

O Oasis acabou definitivamente há um ano e meio. Noel já tinha músicas na manga desde então e seguiu em frente em carreira solo. Liam, ao que parece, soltou as rédeas e criou um trabalho – em comparação ao Oasis dos últimos anos – despretensioso, leve e digno, por mais que repita fórmulas e erre a mão em algumas composições.

O álbum foi o terceiro mais vendido no Reino Unido na semana de seu lançamento, no fim de fevereiro. Uma das possíveis explicações para a aceitação positiva do disco, por parte dos fãs e de grande parte da crítica, é a liberdade dada aos outros mú­­sicos, em especial ao criativo Andy Bell (ex-Ride), que agora também se aventura na guitarra e nas composições. Todas as 13 faixas, aliás, são do trio Gallagher/ Bell/ Archer. Soma-se a isso a simplicidade na instrumentação e nos arranjos – há menos paredes de guitarras e teclados, vícios de Noel – e a impressionante retomada vocálica de Liam, que em músicas como "Millionaire", canta como se fosse o cara de anos atrás. Ao menos dentro do estúdio.

"The Roller", por exemplo, comprova a opção da Beady Eye pelo "menos". A música é uma baladona tranquila baseada em um violão simples e em um riff de guitarra marcante. "Beatles and Stones", então, é um rock simples e ligeiro, espécie de brincadeira-homenagem a duas das bandas que mais influenciaram o Oasis. Tem até um pianinho maroto.

Atenção para "For Anyone", prova viva de que Noel era mão de ferro. A alegre, divertida e doce música baseada em um arpejo de guitarra espetacular não parece com nada que o Oasis tenha feito. E Liam canta feliz, como se risse de tudo por que passou: "Sei que vai ficar tudo bem". Nessa, há palminhas dando um clima.

Já "Stand on the Edge of the Noise" tem mais vigor, e as guitarras são o ponto alto, assim como a vontade que Liam de­­monstra em soltar a voz.

A linda "Wigwam" se destaca no disco. Balada ao estilo "Stop Crying Your Heart Out", com shalalás e barulhos soturnos na mesma medida, reverencia o britpop com sofisticação – atente aos efeitos no fim da música, a bateria entrecortada de Sharrock e o coro final. "The Beat Goes on" também merece atenção especial por sua melodia circular e seu refrão arrebatador.

Há deslizes, como a modorrenta "Kill for a Dream" e a preguiçosa "Bring the Light", o que é até certo ponto normal em uma banda agora em paz, que busca novos caminhos e testa suas capacidades de composição. GGG1/2

Serviço:

Different Gear, Still Speeding. Beady Eye. Sony Music. Preço médio: R$24,90.

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