
A atriz Suzan Damasceno interpreta Hille, a viúva que se retira para o vão de uma escada, em sua casa, para relembrar seu passado amoroso e sexual. A personagem habita a prosa de Hilda Hilst no romance transgressor A Obscena Senhora D, lançado em 1982, e agora adaptado aos palcos no monólogo dirigido por Donizete Mazonas e Rosi Campos.
A montagem vem de São Paulo para o Sesc da Esquina pela programação do Palco Giratório. Faz apenas duas apresentações, neste sábado (12) e domingo (13), às 20 horas, com entrada franca.
Desamparo
Hille recebeu a alcunha de "senhora D" de seu marido, há pouco falecido. O "D" remetia a "derrelição", que significa abandono, desamparo. Sem ele, a desamparada senhora de 60 anos se recolhe em seu canto, provocando reações hostis dos vizinhos, e se deixa tomar pela busca de um sentido para a vida. A mesma procura da qual o marido tentava dissuadi-la, valorizando em troca as coisas simples, o sexo e o sentimento.
O texto é cru e sujo como se acostumou a esperar da prosa de Hilda Hilst. Vai aos limites da sanidade, enfrentando o absurdo da morte e despindo máscaras sociais puritanas.
O cenário da peça foi pensado como um "desnudamento", assumindo o abandono: deixa a personagem sozinha com um aquário de peixes de papel e o chão de terra e palha.
Na interpretação de Suzan se reconhecem marcas de sua passagem de oito anos pelo Centro de Pesquisa Teatral, o CPT, do diretor Antunes Filho. Com ele, a atriz atuou nas cinco edições do espetáculo Prêt-à-Porter.
Ela fez a adaptação de A Obscena Senhora D em parceria com Germano Melo. Para Suzan, esse é um texto em que Hilda chega ao auge da escatologia, mantendo a capacidade de rir do horror.



