
Com seu romance A Vênus das Peles, publicado em 1870, o escritor e jornalista austríaco Leopold Ritter von Sacher-Masoch (1836-1895) propôs uma configuração atípica paras as relações afetivas e sexuais entre um casal. Os papéis entre Severin e Wanda são distribuídos com impressionante clareza. Ele é o escravo. Ela, a dominadora. O acordo entre os dois prevê como condição apenas que a mulher se vista de peles quando for exercer seu lado mais cruel sobre o amante.
A história erótica cunhou o termo "masoquismo", inspirado no sobrenome do autor, que passaria a designar a partir de então o prazer sexual a que se chega se submetendo a maus-tratos. Tema controverso, mais de um século depois ainda tem potencial de causar reações fortes, quanto mais se levado ao palco, como o fazem Pagu Leal e Edson Bueno no espetáculo em cartaz no Mini-Guaíra, não recomendado para menores de 18 anos.
Feminino
A certa altura do livro, diz Wanda a Severin: "Agora sinto realmente prazer em ter sob meu poder e maltratar um homem que tem, como eu, pensamentos, desejos e vontades, um homem que é mais forte que eu, física e intelectualmente, e sobretudo um homem que me ama... Amas-me ainda?", ao que ele responde: "Loucamente!". A inversão de poder na relação é radical e dependendo do ponto de vista libertadora para a sexualidade feminina (e talvez masculina).
O projeto do espetáculo foi concebido por Pagu e aprovado no último edital da Funarte, com o Prêmio Miriam Muniz. A atriz se incumbiu da adaptação, que contrapõe os dois personagens à figura do escritor e da própria Vênus, a deusa da beleza, para discutir filosofia e literatura, amor e desejo.
A montagem recorre a projeções de imagens, figurino de Áldice Lopes e cenário do artista plástico Cleverson Antunes de Oliveira. A trilha sonora de Cassiano Fagundes impulsiona as cenas, provocando a plateia.



