
Entrevista com Jeferson De, diretor do longa-metragem Bróder.
Berlim - O diretor Jéferson De diz que está ansioso, agradecido, tenso e feliz. Para ele, a ficha ainda não caiu. Bróder, seu primeiro longa foi muito aplaudido na estreia mundial dentro da mostra Panorama do Festival de Berlim, que se encerra hoje na capital alemã.
Aos 32 anos, Jéferson que provocou polêmica ao criar o movimento Dogma Feijoada para mudar a forma como o negro é retratado na cinematografia brasileira nasceu em Taubaté (SP) e é filho de uma costureira e um metalúrgico, que se tornou um dos responsáveis pelo amor que ele tem hoje ao cinema, quando o levava para as sessões que organizava no sindicato.
Bróder traça o reencontro de um grupo de amigos que dividiram a infância em Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo, numa história de afeto, amizade e amor. A escolha de Caio Blat para protagonista provocou polêmica por ser um ator branco, em desacordo com as teses defendidas pelo diretor. No filme, o ator interpreta o filho de um negro e tem irmãos negros.
Em entrevista à Gazeta do Povo, o diretor paulista falou sobre Bróder e a importância desta seleção para Berlim.
Como você vê a seleção de Bróder para a Berlinale?
É a consequência de um trabalho que busca algo original. Observei que, nos últimos anos, a Panorama tem a intenção de exibir essa busca, ou seja, o esforço de realizadores em estabelecer novos cenários, novas histórias, provocações e, acima de tudo, arte e poesia. No filme, que retrata jovens criados na periferia de uma metrópole como São Paulo, acredito que contemplamos boa parte dessas questões.
Por que escolheu o Caio Blat para protagonista?
A questão apresentada no filme é quem é negro e quem não é. Eu enviei o roteiro, ele entendeu toda a proposta do Bróder e me agradeceu dizendo que sempre quis ser negro. Durante as filmagens, ele se mudou para o Capão Redondo, conheceu os trabalhadores, os artistas locais, enfim, passou a conviver com a comunidade.
Como você gostaria que os espectadores vissem o filme?
É difícil saber, pois sentimentos são, por vezes, confusos. A entrega de um filme para os espectadores é sempre tensa, cercada de muita expectativa. Como toda obra de arte, o filme se completa no encontro com o público. Então, este trabalho está quase finalizado. Espero que o filme estabeleça uma troca com a plateia, tocando as pessoas, seja pela emoção ou pela razão.
Quais resultados você espera da exibição do filme em Berlim?
Minha expectativa é que todo o esforço para sua realização seja valorizado e reconhecido. Não foi nada fácil construir esse caminho e espero, por mérito, ter propostas interessantes em outras mídias como a tevê, por exemplo. De certa forma, também desejo que a projeção aqui numa vitrine como Berlim torne o percurso para produzir meu próximo filme um pouco menos doloroso.
Você já está envolvido em outros projetos?
Estou envolvido em alguns projetos interessantes: Um deles é um filme que será produzido pela atriz Taís Araújo. O outro é uma história sobre a família Assis Miranda, cujo integrante mais conhecido é o Ronaldinho Gaúcho. Por último, estou produzindo um documentário chamado Papo de Menina, sobre a beleza dentro da Fundação Casa Feminina (ex-Febem), que vai ser dirigido pela documentarista Cristiane Arenas.




