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 | Fotos: Divulgação
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  • Mija (Yun Junhee), uma avó solitária de 65 anos: entre a poesia e o crime

Entrevista com Lee Chang-dong, cineasta

Nova York - Poesia, de Lee Chang-dong, foi um dos destaques da última segunda-feira nas sessões de imprensa da 48.ª edição do Festival de Nova York. Chang-dong está de volta à mostra, na qual apresentou, em 2007, Secret Sunshine, um filme que, a exemplo desse novo longa-metragem, é centrado nas dores das perdas.

O novo trabalho do diretor sul-coreano – também uma das atrações do Festival do Rio, que se inicia amanh㠖 conta a história de Mija (Yun Junhee), uma avó solitária de 65 anos, que cuida de seu neto e divide o tempo entre as tarefas domésticas e o trabalho de enfermeira que faz para complementar a pequena renda de que dispõe.

Otimista e vaidosa, ela se inscreve em um curso de poesia para ampliar seus horizontes, mas tem um choque quando se depara com uma mãe desesperada diante do corpo da filha que havia se suicidado. Aturdida, fica sabendo que a menina foi vítima de estupro, cometido por um grupo de colegas de escola, entre os quais estava o seu neto.

Embora o filme seja relativamente longo – 140 minutos de duração – Poesia é um retrato intenso e emocionado de esperança e a possibilidade de um outro olhar diante das agruras da vida.

O diretor, que foi ministro da Cultura em seu país, falou sobre o filme, a abrangência da história e a característica dos sofridos personagens.

Qual a motivação para fazer Poesia?

Meu principal interesse era o conflito da personagem central. De um lado, Mija sofre muito com os atos do seu neto. Por outro, ela tenta escrever poesia e continua buscando a beleza do mundo em volta. Qual o objetivo de misturar crime com poemas?

Eu queria mostrar a poesia em um filme. De alguma forma, pensava em transformar uma história terrível em beleza de imagens e em canto poético. Mas tenho convicção que isso só foi possível com a emocionante interpretação de Yun.

É possível ocorrer na vida real o que acontece no filme?

Sim. Apesar dos problemas e da maldade do mundo, sempre há algo maravilhoso que acontece. O filme busca esse lado positivo e que é expresso através do desejo da protagonista de escrever um poema.

Por que a opção pelo final em aberto?

A narrativa é deixada em branco para que a audiência a preencha; eu não quis mostrar nada diretamente, mas apenas sugerir. Essa é a parte destinada aos espectadores a fim de que eles completem o filme.

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