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Bartleby (Cácia Goulart) é um fazedor de cópias que recusa outras tarefas | Cacá Bernardes/Divulgação
Bartleby (Cácia Goulart) é um fazedor de cópias que recusa outras tarefas| Foto: Cacá Bernardes/Divulgação

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Quando Herman Melville escreveu o conto "Bartleby", em 1853, a expressão "wor­­kaholic", se existia, não de­­via ter a mesma conotação dos tempos atuais, em que o escrito se converteu na peça homônima apresentada no Teatro da Caixa de sexta (4) a domingo (6), pelo Núcleo Caixa Preta da Cooperativa Paulista de Teatro.

O personagem que batizou a breve história criada pelo autor do clássico Moby Dick (de 1851), e interpretado na peça homônima pela atriz Cácia Goulart, é um fazedor de cópias. A todas as demais tarefas que seu chefe lhe propõe, como uma ida ao correio, responde com a frase célebre: "Prefiro não".

A negativa não incomoda, a princípio, o empregador – um advogado interessado no mínimo esforço, vivido pelo ator Rodrigo Gaion –, uma vez que Bartleby é superfocado no trabalho e rápido na sua função. Tão focado, aliás, que logo se percebe que fez do escritório sua casa. Um workaholic, enfim?

Não é o que se deduz, depois que o escriturário responde a um pedido do chefe para que faça mais cópias com a mesma recusa: "Prefiro não". Sua atitude faz desmoronar o sistema normatizado e hierárquico do ambiente de trabalho e, vista pelos olhos de hoje, na adaptação assinada pelo dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra e dirigida por Joa­­quim Goulart, pode despertar dúvidas sobre a sanidade tanto de quem se recusa a cumprir suas funções quanto dos que vivem só para elas.

A montagem se guia por uma estética minimalista, um tanto áspera, mas criando um espaço intimista que propicie a interação dos dois atores com o público.

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