
Em um minivestido azul marinho, que deixava pernas e costas à mostra, cabelos chanel e mais louros, Reese Whiterspoon compareceu à coletiva, nesta quinta-feira, em São Paulo, organizada pela Avon, empresa da qual a atriz norte-americana é embaixatriz e garota propaganda.
O motivo da viagem foi apenas para fazer campanha pelo fim da violência doméstica no Brasil. Sua presença gerou grande interesse da imprensa, que só tinha direito a fazer quatro perguntas que foram sorteadas pela organização do evento. E nada foi perguntado sobre cinema.
Mais de 90 jornalistas, incluindo repórteres de outros países da América Latina, aguardaram a entrada da estrela de "Legalmente loira" e "Johnny e June". O apresentador chamou seu nome, mas nada de ela aparecer. Enquanto isso, além da imprensa, a ministra Nilcéia Freire, da secretaria especial de políticas para mulheres, o presidente da Avon Brasil, Luis Felipe Miranda, e Ana Faiú, diretora regional do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Mulheres, aguardavam a chegada de Reese à bancada. A atriz, que desembarcou no Brasil no final da tarde desta quarta-feira e já voltou para os EUA nesta quinta, foi chamada três vezes antes de dar o ar da graça.
Após discursos sobre violência doméstica, Reese respondeu apenas as quatro perguntas. O mestre de cerimônias pegou dentro de um pote de vidro o nome de quatro jornalistas e deu a eles o direito a fazer uma pergunta à atriz. O processo levou pouco mais de dez minutos e a decepção foi grande. Respostas prontas e evasivas foi tudo o que Reese ofereceu, além de sua beleza e alguns sorrisos.
Foi constrangedora a tentativa de homenagear Maria da Penha Maia Fernandes, cuja luta pessoal inspirou a lei Maria da Penha que completa dois anos e acumula muitos avanços em relação à violência contra as mulheres. Foi anunciado que Reese Whiterspoon daria à Maria da Penha a pulseira da atitude, cuja venda é a fonte de arrecadação da campanha da Avon contra a violência doméstica. Em vez de a atriz caminhar até a primeira fila, onde estava a cadeirante Maria da Penha, empurraram a cadeira de rodas por uma rampa para o palco. A atriz colocou no pulso de Maria da Penha a bijouteria azul e prata, a abraçou e limpou um dos olhos, na tentativa de aparentar emoção. Mas não havia nenhuma lágrima.
Reese Whiterspoon ficou hospedada no luxuoso hotel Emiliano em sua única noite em São Paulo. Não fez nenhuma exigência. Na coletiva, não se mostrou incomodada com o tumulto e os gritos dos fotógrafos, que não tinham espaço para trabalhar e acabaram atrapalhando a visão dos repórteres.
- É perturbador saber que uma a cada três mulheres em todo o mundo serão afetadas por algum tipo de violência e bem mais da metade das mulheres que sofreram violência doméstica não vai à polícia - disse Reese, que além da campanha da Avon, ajuda um centro de tratamento de vítimas de estupro e dirige um fundo de defesa às crianças.
Sobre a razão de seu envolvimento com projetos que auxiliam vítimas de violência, a atriz retomou seu discurso padrão.
- Mais de 1,5 milhões de mulheres em todo o mundo é víima de violência. As estatísticas mostram que não existe uma mulher no mundo que não tenha uma amiga ou parente sofrendo violência. Conheço sim pessoas que passaram por isto - concluiu.








