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Adaptação

Se um disco fosse contar uma história, qual seria?

Blondie, disco de 1976 da banda homônima, ganhou reinterpretação literária | www.javno.com
Blondie, disco de 1976 da banda homônima, ganhou reinterpretação literária (Foto: www.javno.com)

"Era noite. Todos pulavam ao som do Talking Heads. Em cima do palco, David Byrne e companhia tocavam canções fantásticas. As guitarras subiam por mim e sentia-me no céu. Uma garota loira que também pertencia a uma banda que tocava no local olhava para mim, mas parecia não me ver. Era linda, um anjo com jeito punk, palavra nova no meu imberbe vocabulário, mas que passei a ouvir mil vezes por dia."

Se as notas do primeiro disco da banda Blondie fossem transformados em palavras e seus acordes new wave em frases, esse seria o começo da história. Ao menos na visão de Carlos Lopes, um dos participantes do projeto Mojo Books que há dois anos transforma música em literatura virtual.

O primeiro capítulo começou nos anos 1990, quando Ricardo Giassetti e Danilo Corci ainda estavam nos palcos, tocando músicas inspiradas em livros. A banda acabou em 1998, mas a inter-relação das artes permaneceu – ainda que ao contrário. Hoje, 12 pessoas trabalham na empresa que já lançou 83 livros, 64 singles (mini-contos baseados em uma música) e cinco histórias em quadrinhos. Todos os trabalhos estão disponíveis gratuitamente no site da Mojo Books (www.mojobooks.com.br). E, como em uma editora tradicional, as edições saem com tiragem limitada, podendo esgotar dependendo da procura.

"Nós convidamos autores para escrever livros e também recebemos propostas de interessados. Todo o modelo é gratuito, então o autor não recebe nada pela publicação, exceto em casos especiais, como projetos direcionados para marcas ou livros patrocinados", explicou Corci, autor do número 1 da Mojo: Black Celebration, disco de 1986 da banda inglesa Depeche Mode.

E há de tudo. De Belchior a Beatles, passando por Johnny Cash, Madonna, New Order e Ryan Adams. "De fato, temos bastante variação e é isso que buscamos", disse.

Suporte

Segundo Corci, a Mojo Books tem duas premissas: desmistificar o formato do livro e provar que, com a idéia certa, todos consomem literatura. Como os autores são de diversas áreas – às vezes amantes de música, mas não familizarizados com a palavra escrita – os trabalhos adquirem tom pessoal e variam em qualidade e temática. "Na maioria das vezes as músicas estão sempre ligadas às emoções, ao amor. Mas também temos histórias de guerras, zumbis cowboys, macacos alienígenas e sobre Jim Morrison estar vivo," explicou.

Mas será possível transportar integralmente a música para as letras sem deixar nada para trás? Sim e não. "Sim, é possível porque os autores sempre buscam o clima, a fluidez e coerência que a obra inspiradora passa. Mas, justamente por ser um outro artista revendo a obra original, sempre há mudanças e novidades, para o ‘bem’ e para o ‘mal’."

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