
O roteiro de Força Policial foi inspirado na infância do diretor Gavin OConnor (Desafio no Gelo) e do produtor Greg OConnor, filhos de um policial aposentado de Nova Iorque. Na casa dos irmãos, nutria-se o orgulho e a glória de ser tira (Pride and Glory é o nome original do filme, muito mais pertinente). Daí nasceu o desejo de realizar um filme de ação que tratasse dos impasses vividos pela polícia diante de um problema que parece estar generalizado: a corrupção. Que atitude tomar quando se descobre que os policiais de seu próprio distrito estão envolvidos em atividades ilícitas, como extorsão? O problema se agrava quando o problema ameaça desintegrar uma família composta por pai e filhos policiais.
O protagonista Ray Tierney (Edward Norton) assiste com a família o irmão Francis Tierney (Noah Emmerich), a esposa com câncer Abby (Jennifer Ehle), o cunhado Jimmy (Colin Farrell) e a irmã Megan (Lake Bell) a uma partida de futebol americano do distrito, quando recebem a notícia do assassinato de quatro agentes em uma batida contra traficantes. Os policiais vão até lá e os minutos seguintes se arrastam em uma óbvia e desnecessária vistoria da cena do crime.
Por insistência do pai, o também policial Francis Tierney (Jon Voight), Ray retoma a posição de detetive a que havia renunciado e assume a investigação do caso em que as pistas conduzem surpreendentemente em direção ao seu irmão e ao seu cunhado. O policial deve decidir entre tipos de lealdade: à polícia e à família ou a uma lei maior, que vai além das corporações.
O roteiro é pouco cinematográfico ao explicar tim-tim por tim-tim, na boca dos personagens, o desenrolar dos acontecimentos e tem furos graves como quando não explica com clareza e logo no ínicio as razões que levaram Ray, com uma enorme cicatriz no rosto, a abandonar uma promissora carreira de detetive.
O final do filme surpreende, sim, mas pela extrema previsibilidade, e é antecedida por um acerto de contas totalmente fora de contexto: Ray vai prender Jimmy em um bar e os dois decidem pousar as armas no balcão e lutar. Entre socos e pontapés, a câmera nos brinda com o close de uma maçã que rola junto com os corpos pelo chão. Constrangedor. GG1/2







