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Cinema

Tamanho-família

Diante do novo filme do Super-Homem, que estréia hoje em circuito nacional, fica difícil não esquecer de um dos melhores diálogos já escritos por Quentin Tarantino. Em Kill Bill 2, filme mais recente do cineasta, o personagem-título apresenta uma teoria pessoal sobre o Homem de Aço. Bill lembra que o Batman é, na realidade, Bruce Wayne. Que o Homem-Aranha, por trás da máscara, é Peter Parker. Todos os dias, eles acordam como simples mortais e têm de vestir um uniforme para se tornar heróis. Mas o Super-Homem, ao contrário dos outros, já nasceu Super-Homem.

Clark Kent é o seu disfarce, sua forma de se misturar aos terráqueos. Inseguro e um tanto covarde, Kent também pode ser compreendido como uma crítica que o Super-Homem faz a toda a raça humana. Pois é assim que ele nos interpreta: como criaturas extremamente frágeis, em todos os sentidos. Para o Homem de Aço, somos um bando de "clark kents".

Talvez o diretor Bryan Singer não tenha pensado em Tarantino para criar a versão anos 2000 do Super-Homem. Mas o personagem apresentado em Superman – O Retorno (a distribuidora obriga todos os países a usar o nome do herói em inglês) vai exatamente de encontro à teoria de Bill. Com um ar frio e distante, o Homem de Aço vivido pelo novato Brandon Routh surpreende por trazer poucos traços de humanidade. E essa é, de longe, a melhor sacada de um filme que se arrisca muito pouco.

Superman – O Retorno é uma espécie de continuação dos eventos mostrados em Superman II, dirigido em 1980 por Richard Lester. Após passar cinco anos longe da Terra, o herói volta e encontra um planeta mais violento. Quem também dá as caras novamente é o vilão Lex Luthor (Kevin Spacey, de Beleza Americana), recém-saído da prisão para colocar em prática um absurdo plano de dominação mundial.

Enquanto o Homem de Aço estava fora, a bela Lois Lane (Kate Bosworth, de Crimes em Wonderland) tocou sua vida. Ganhou o cobiçado prêmio Pulitzer de jornalismo (com a reportagem "Por que o mundo não precisa do Super-Homem"), engatou namoro com um editor do Planeta Diário e se tornou mãe de um menino. Detalhe: a criança tem cinco anos – quem será o pai dele?

"Mistério" à parte, Superman – o Retorno traz o enésimo embate entre o herói e Lex Luthor, meia dúzia de piadinhas e pencas de efeitos especiais. Diretor dos dois primeiros X-Men, Singer sabe muito bem o que o povo quer ver: carros sendo atirados para cima, prédios destruídos, gente correndo apavorada... Por mais que tentasse inovar, fez um filme "família", comportadinho – e frio – como o próprio Super-Homem. GGG

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