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Peça serve gasosa e leva o público para passear em ônibus antigo

Baseado em textos de Manoel Carlos Karam, ”Cidade Sem Mar” começa na calçada e passa por cinco ambientações diferentes

  • PorSandro Moser
  • 29/03/2016 11:24
Atores encenam “Cidade Sem Mar” na Rua São Francisco | Pedro Serápio/Gazeta do Povo
Atores encenam “Cidade Sem Mar” na Rua São Francisco| Foto: Pedro Serápio/Gazeta do Povo

A fila na porta do espaço Guairacá Cultural, na Rua São Francisco, na noite da última segunda-feira (28), juntava atores, plateia e boêmios dos bares vizinhos. Já era um sinal de que a estreia da peça “Cidade Sem Mar” seria incomum.

Uma das atrizes interpretava uma vendedora ambulante de cerveja. Seu pregão vendeu, de fato, muitas latas (geladas e com preço de mercado) à plateia e aos transeuntes. Outra atriz encarnava uma produtora que, com megafone em punho, dava, no jargão próprio do seu ofício, ordens nonsense para o público obediente.

A peça da Cia. Brasileira de Teatro faz parte da Curitiba Mostra, braço do Festival de Curitiba que selecionou quatro montagens de nomes importantes do teatro e da literatura de Curitiba.

Farofada: peça fala da relação do curitibano com o marPedro Serápio

“Cidade Sem Mar” é baseada na obra de Manoel Carlos Karam (1947- 2007), escritor nascido em Santa Catarina que desde 1966 até o ano de sua morte produziu em Curitiba parte da literatura brasileira mais importante de seu tempo, marcada por surrealismos e estranhezas.

Karam também alimentou o tema do distanciamento do curitibano em relação ao mar. Muito do que ele escreveu entrou para o folclore curitibano.

A peça é baseada, principalmente, em duas obras de Karam: “Ovos Não têm Janelas”, escrita nos anos 2000, e os textos preparados por ele para a revista Leite Quente, de dezembro 1989, que brincam com certa “pieguice jacu e farofeira” dos hábitos litorâneos de quem vive a 900 metros de altitude. Toda a ação da peça cria uma expectativa de que algo grande está para acontecer, como um banho de sol curitibano com pudim de leite, gasosa de gengibirra e framboesa.

“Procuramos mostrar a relação dele [Karam] com a cidade que ele enxergava e com a Curitiba de hoje”, explica Giovana Soar, uma das criadoras do espetáculo. “São textos escritos durante a ditadura militar que caem muito bem para o momento atual”, completa.

Ônibus sem banheiro

A escolha do elenco e da São Francisco como cenário não foi feita ao acaso. Karam foi morador da rua. Seu apartamento foi ponto de criação teatral frequentado por parte do elenco da peça em épocas diferentes.

Serviço

A peça “Cidade Sem Mar”, da Cia. Brasileira de teatro tem duas apresentações nesta terça-feira (29) às 20h e 23h. Os Ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada), limitados a 40 ingressos por sessão.

O espetáculo que começa na calçada passa por mais cinco ambientações diferentes. Três delas dentro do imóvel que um dia abrigou a ferraria da família Tod, que batizou o logradouro como “rua do fogo” no século 18.

Há ainda não um, mas dois “grand finales” nas ruas do centro da cidade. Elenco e plateia partem para numa “excursão para Matinhos” dentro de um ônibus monobloco, sem banheiro, da Viação Graciosa, que “desceu” curitibanos ao litoral entre as décadas de 1970 e 1980.

Na boleia, Antonio Vieira, motorista da empresa há 25 anos, se divertiu. “Foi muito legal, eu já tinha participado de um filme com este mesmo carro. Mas teatro foi a primeira vez”, disse.

De dentro do ônibus, a plateia vê a cena final, na rua Moreira Garcez: um contra-ataque da “população de bem” contra a ameaça de um morador de rua. A cena é tão real que dois jovens que passavam no local (um pouco alterados, diga-se) tentaram separar a “briga”.

No mesmo instante, um carro de bombeiros chegou ao local para atender uma chamada de incêndio que se revelou falsa. Não foi a produção da peça quem fez a chamada. Mas poderia ter sido. Mais surreal, mais Curitiba e mais Karam do que isso, impossível.

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