Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Luto

Tomie Ohtake morre aos 101 anos

Uma das figuras mais relevantes da história da arte brasileira, artista morreu nesta quinta-feira (12)

A artista despontou na cena artística do país nos anos 1960 | Heloisa Ballarini/Secom
A artista despontou na cena artística do país nos anos 1960 (Foto: Heloisa Ballarini/Secom)

Morreu nesta quinta-feira (12) a artista plástica Tomie Ohtake. Ela estava internada há mais de uma semana no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, por causa de uma pneumonia. Tomie chegou a sofrer uma parada cardíaca depois de aspirar líquido gástrico e respirava desde terça (10) com a ajuda de aparelhos. Uma das figuras mais relevantes da história da arte brasileira, conhecida como a grande dama da pintura nacional, Tomie tinha 101 anos.

Seu corpo será velado no Instituto Tomie Ohtake, centro cultural na zona oeste de São Paulo, nesta sexta (13), em evento aberto ao público. Ela será cremada em cerimônia fechada para a família também nesta sexta.

A artista criou ao longo de seis décadas de carreira um vocabulário único, calcado na relação entre a forma e a cor. Ela despontou na cena artística do país nos anos 1960, trilhando um caminho independente no momento em que o abstracionismo geométrico chegava a seu auge.

Vida e obra

Tomie, que nasceu em Kyoto, no Japão, e se mudou para São Paulo em 1936, começou a pintar nos anos 1950, quando ainda seguia o estilo figurativo em voga entre outros artistas imigrantes reunidos no grupo Seibi.

Logo depois, em meados da década de 1950, ela deu início à exploração da cor e da geometria. Mário Pedrosa, mais influente crítico de arte daquela época, reconheceu nos traços da artista ecos do projeto construtivo que via surgir entre os artistas concretos em São Paulo e, mais tarde, entre os neoconcretistas no Rio. A artista, no entanto, nunca entrou para o movimento.

Nos anos definitivos de sua carreira, ao longo da década de 1960, a artista realizou o maior número de experimentos e reflexões sobre o comportamento das formas num plano.

Também no início dos anos 1960, a artista realizou uma de suas séries mais célebres, as "Pinturas Cegas" – telas que pintou vendada, numa crítica ao racionalismo exacerbado então em voga. Em 1961, também participou da Bienal de São Paulo pela primeira vez, tendo voltado ao evento outras sete vezes, sendo a última delas a edição de 1998.

Tomie também se destacou no campo da escultura, criando formas monumentais que em muitos aspectos lembram o traço fluido da caligrafia japonesa. Sua obra ocupa pontos importantes da geografia paulistana, como a entrada do aeroporto internacional de Guarulhos.

Em Curitiba, uma escultura criada por Tomie em 1996 está exposta permanentemente no Museu Municipal de Arte (MuMA), em Curitiba.

Nos últimos anos de sua vida, Tomie seguiu trabalhando. Seu ateliê, uma parte da casa onde vivia projetada pelo filho Ruy Ohtake, seguiu atulhado de peças inéditas até a abertura de sua última exposição no centro cultural que leva seu nome, em novembro de 2013.

"Nunca pensei que estaria viva aos cem anos, mas essa idade chegou sem que eu sentisse nada", disse a artista, há dois anos. "Só sei que gosto muito de trabalhar e fico feliz pintando."

Além de Ruy, Tomie deixa o filho Ricardo Ohtake, diretor do centro cultural que leva o nome da artista, e dois netos.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.