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Traços e cores para afetos masculinos

Quadrinista mineiro Vitor Cafaggi se projeta no mercado nacional com terceiro volume de Valente e a continuação de Laços

  • Luciana Romagnolli, especial para a Gazeta do Povo
O desenhista Vitor Cafaggi com a máscara de Valente em leitura do projeto Cena HQ, em Curitiba, em abril de 2013 |
O desenhista Vitor Cafaggi com a máscara de Valente em leitura do projeto Cena HQ, em Curitiba, em abril de 2013
 
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Traços e cores para afetos masculinos

Papeizinhos colados no armário registram as primeiras situações imaginadas por Vitor Cafaggi para o segundo volume de aventuras da Turma da Mônica, encomendado pela Mauricio de Sousa Produções para 2015. O anúncio da segunda edição foi a coroação de um ano excepcional para o quadrinista mineiro de 35 anos.

No primeiro semestre, ele e a irmã Lu Cafaggi (desenhista de meigos flashbacks dos personagens quando bebês) colocaram Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão em busca de Floquinho em Laços, possivelmente a graphic novel brasileira de maior sucesso até hoje. Também foi neste ano que as descobertas amorosas do cachorro Valente, um projeto independente de Vitor, chegaram a uma grande editora (a Panini), que já dispôs nas livrarias até o terceiro volume.

Valente não é a primeira história sobre um garoto despreparado para as descobertas amorosas com que Vitor angaria leitores. Afetos masculinos são o seu forte. Antes do personagem peludo, as tirinhas criadas pelo mineiro narravam a infância de Peter Parker ainda sem os poderes aracnídeos que o transformariam no Homem-Aranha. Saíram Mary Jane e Gwen Stacy, entraram Princesa (uma panda) e Dama (uma gatinha).

Origens

Como se pode supor, o Homem-Aranha era o seu quadrinho de super-herói preferido na infância – e Vitor continua leitor fiel, “mesmo que as histórias não sejam mais tão boas”. Lia também Disney, Turma da Mônica e Luluzinha, comprados pelos pais para o irmão mais velho, além de outros menos conhecidos que ele mesmo pedia. Naquela casa cheia de quadrinhos, não se contentava em rabiscar paredes e móveis. “Gostava de fazer revistinha, pegar papel, dobrar e criar uma história”.

A parceria com a irmã, apesar dos dez anos de diferença entre eles, vem de cedo. Quando tinha 5, Lu mostrou, orgulhosa, “o melhor desenho que já tinha feito”. “Então meu irmão se sentou comigo no chão e fomos redesenhando aquele mesmo desenho juntos, etapa por etapa: ele me ensinou a ser mais observadora, a ser mais gentil com o papel e a me divertir mais com as formas”.

Vitor e Lu hoje trabalham em locais separados, trocando ideias ao longo do processo. Ele acorda às 6 horas, passeia com o cachorro e, logo depois, desenha. “Se for para o computador, me perco”, conta. Segundo a irmã, “as melhores ideias dele nascem de momentos em que está com a cabeça distante, rabiscando ideias”.

Carreira

Quem vê a projeção alcançada, não imagina que Vitor se ocupava da carreira de designer gráfico até os 30 anos. Foi quando uma promoção o fez perceber que seu tempo de arriscar estava ficando para trás. “Precisava fazer quadrinhos.” Livre do emprego, criou Puny Parker – As Incríveis Aventuras do Pequeno Parker, juntando o personagem de Stan Lee ao olhar sobre a infância de Calvin e Haroldo. Postou as primeiras tiras no Orkut e, depois, num blog, ganhando leitores fiéis.

Por esse trabalho, em 2010, o jornal O Globo o convidou a publicar tiras semanais. Sem a possibilidade de pagar direitos autorais à Marvel, no mesmo dia Vitor criou Valente. “Fiz um cachorro para diferenciar do Puny e explorar mais as expressões, com as orelhas e o rabo. Como é muito autobiográfico, coloquei características de pessoas ao meu redor”. Lu Cafaggi inspirou a macaca Bu e a irmãzinha de Valente. “Sou bastante introvertida e insegura. Acabo recarregando a minha valentia a cada vez que a Bu diz a coisa certa”, diz ela.

O autor planeja o quarto volume já para agosto do ano que vem e lança 200 cópias do cachorro em versão boneco, esculpido por Edde Vieira. Até o sexto livro da série, Valente deve ingressar na faculdade e começar a fazer estágio. “É sobre crescimento. E sobre pessoas que a gente conhece e vão mudando nosso jeito de ver a vida”, diz Vitor.

Mônica

Emoção. A aproximação com o universo de Mauricio de Sousa começou no projeto coletivo MSP 50, quando Vitor deu novas formas e cores a Chico Bento. A qualidade das páginas rendeu o convite para fazer uma graphic novel com a turminha. “Ele consegue ser emocional sem ser piegas e ainda sabe fazer cenas com humor, suspense, drama, num desenho que encanta pelo traço, pela cor e pela fluidez da narrativa. E a Lu segue o mesmo caminho, com um traço ainda mais fofo”, analisa Sidney Gusman, editor da Mauricio de Sousa Produções.

A resposta de público é animadora. “Mesmo não tendo como comprovar isso, por não ter dados dos anos 1990, creio que Laços, se já não é, será a graphic novel brasileira mais vendida de todos os tempos”, diz Gusman. Mauricio de Sousa não reclama.

“Quando chegou o primeiro exemplar impresso, ele estava muito feliz. A Lu chorou e eu fui mais forte, mais machão”, brinca Vitor, flagrado com lágrimas nos olhos no anúncio do segundo volume da Turma da Mônica no Festival Internacional de Quadrinhos – FIQ de 2013, em Belo Horizonte.

O FIQ, aliás, resume a trajetória do mineiro. “Em 2007, lá decidi que ia fazer quadrinhos. Em 2009, já estava autografando a MSP 50 ao lado do Mauricio. Em 2011, lancei o Valente e o Duo Tone. Em 2013, já tinha gente chegando com sete revistas minhas, pedindo autógrafo no banheiro”, conta.

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