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DVD

Tragédia marca o drama Infiel

Uma mulher em seus 40 anos tem vários dos confortos que se costuma desejar. Vive em uma casa linda, tem uma filha adorável e um marido atencioso. O casamento passa dos dez anos e vai bem. A vida sexual é acima da média e os dois têm carreiras de sucesso na música erudita (ele, maestro) e no teatro (ela, atriz).

Contudo, essa mulher trai o marido com o melhor amigo dele.

Por quê?

Essa é uma pergunta que Infiel não se esforça para responder. O filme, de 2000, foi lançado em VHS anos atrás e acaba de ganhar o formato DVD no Brasil pela Versátil. Nos créditos, duas informações chamam a atenção de primeira: o roteiro é de Ingmar Bergman e a direção, de Liv Ullmann. Dois monumentos do cinema escandinavo, parceiros dentro no cinema e amantes fora dele.

Na condição de diretora que trabalhou como atriz durante toda a vida, Liv, 68 anos, diz que evita cortes o quanto pode, filmando cenas longas em que os atores podem se envolver mais e melhor em seus papéis.

Em Infiel, Lena Endre interpreta Marianne, a atriz que põe a perder uma vida quase perfeita para se aventurar em um caso com David (Krister Henriksson), diretor de teatro pessimista, frustrado e endividado.

Quando ele pergunta sem mais nem menos: "Você gostaria de dormir comigo?", a primeira reação de Marianne é rir. David e Markus são quase irmãos e ela nunca tinha visto o amigo de outra forma. Não até aquela noite.

Apesar de descartar a possibilidade de sexo, é talvez porque sente pena do amigo que o deixa dormir na casa, no mesmo quarto e, para complicar, na mesma cama.

Nada acontece. Eles dormem um ao lado do outro. Porém, Marianne acorda no meio da noite e sente ser "uma pequena parte de algo misterioso". E é esse "algo" que a conduz, a partir do dia seguinte, para um caso extraconjugal destruidor.

No filme, a história de Marianne é contada por um senhor de cabelos e barbas brancas chamado... Bergman (interpretado por Erland Josephson). Em seu escritório, diante de folhas de papel em branco, ele recebe "visitas" de Marianne, que conta detalhes de sua traição e as conseqüências dela.

Escritor e personagem se referem à traição como um tipo de passatempo. "Por que continuamos jogando?", questiona Marianne. Com olhos baixos, Bergman responde: "É uma distração antes da morte".

É porque o cineasta sueco de 88 anos teve uma vida íntima conturbada – com amantes, divórcios e filhos fora dos casamentos (detalhe para os plurais) – que o filme pode ser entendido como um mea-culpa. Infiel quer mostrar que nada de bom resulta de uma traição. Que as pessoas atingidas por ela jamais vão se recuperar. Que não se pode escapar de um final trágico. GGG1/2

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