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Música

Trilha sonora como protagonista

Show resgata canções de filmes da extinta companhia Atlântida nas vozes de Maria Alcina, Vânia Bastos e do pianista Marco Bernardo

  • Rafael Rodrigues Costa
Vânia Bastos, Marco Bernardo e Maria Alcina cantam acompanhados por arranjos que emulam a sonoridade original das gravações |
Vânia Bastos, Marco Bernardo e Maria Alcina cantam acompanhados por arranjos que emulam a sonoridade original das gravações
 
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Começam a ser vendidos hoje, ao meio-dia, na bilheteria do Teatro da Caixa, os ingressos para o show Nas Trilhas da Atlântida, que resgata canções de filmes da companhia carioca, extinta em 1962, nas vozes de Maria Alcina, Vânia Bastos e Marco Bernardo (veja o serviço completo do show no Guia Gazeta do Povo).

As apresentações acontecem de quinta-feira a domingo. Acompanhados por acordeão, sopros, violinos, violoncelo, contrabaixo e percussão, além do piano de Bernardo, que assina todos os arranjos, o trio passa por músicas de compositores como Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Ary Barroso e Wilson Batista – a maioria integrante da trilha sonora de Aviso aos Navegantes (de Watson Macedo, 1951) –, que foram às telas nas vozes de atores como Oscarito e Eliana Macedo.

“São clássicos da música brasileira. Os filmes entravam também para divulgar os sucessos da época, já que a televisão ainda era pouco atuante”, explica o pianista Fábio Caramuru, diretor artístico e um dos idealizadores do espetáculo, que foi criado em 2008 para o projeto paulistano “Pocket Trilhas”, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

“E consta que o sucesso de bilheteria era enorme. A frequência era muito grande aos cinemas. Atores como Eliana Macedo e Oscarito eram verdadeiramente idolatrados pela população”, diz.

O ponto de partida para a escolha do repertório foram as cenas mais icônicas dos filmes da companhia Atlântida – como a paródia de Brigitte Bardot encenada por Norma Bengell na abertura de O Homem do Sputnik (de Carlos Manga, 1959).

“A gente projeta um trecho daquela cena, que se funde com a música ao vivo, cantada pela Vânia Bastos”, conta Caramuru. “O legal é que, normalmente, a trilha sonora é uma coisa que vem a agregar ao filme. Neste show, a gente faz o contrário. A cena ilustra a trilha sonora. E a música é a cena, porque acontece ao vivo”, explica o diretor artístico.

A canção “Candelária”, de Ruy Rey, originalmente cantada por um Oscarito vestido de rumbeira cubana em Aviso aos Navegantes, é interpretada por Maria Alcina em um dos muitos momentos que dão o tom cômico ao show. Uma das exceções é a canção “Franqueza”, de Oswaldo Guilherme e Denis Brean, do filme Duas Histórias (de Carlos Manga, 1960).

“Os filmes eram principalmente comédias”, lembra Caramuru. “Eles tinham esse humor e essa ingenuidade. E retratavam o Brasil de uma forma muito diferente da de hoje. Naquela época existia um clima de esperança”, explica o diretor artístico. “Este cinema é uma coisa que ficou muito longe de nós. Teve o apogeu nos anos 1950 e ficou esquecido. É interessante resgatar isso.”

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