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Josh Holloway (dir.) protagoniza “Colony”, que estreia nesta segunda (18) | Paul Drinkwater/USA Network/Divulgação
Josh Holloway (dir.) protagoniza “Colony”, que estreia nesta segunda (18)| Foto: Paul Drinkwater/USA Network/Divulgação

O universo das séries de televisão é bastante íntimo do diretor Juan José Campanella, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro com o sucesso “O Segredo dos Seus Olhos” (2009). Desde aos anos 1990, o cineasta argentino trabalha em produções de TV tanto em seu país quanto nos EUA. Dirigiu, por exemplo, episódios de atrações badaladas como “Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais” e “House”.

Agora, Campanella está à frente, também como produtor executivo, de “Colony”, seriado em 10 episódios que estreou semana passada nos EUA e será exibido a partir de hoje no Brasil, todas as segundas, às 23h30, no canal fechado TNT.

Entre os criadores de “Colony” está Carlton Cuse, roteirista e produtor de “Lost”, série da qual vem o protagonista da nova série, Josh Holloway, que encarnou Sawyer na ilha misteriosa. Ele é Will, mecânico que vive com a mulher, Katie (Sarah Wayne Callies, a Lori de “The Walking Dead”), e o casal de filhos em uma Los Angeles sob ocupação de um governo totalitário imposto por uma recente invasão – o primeiro episódio não esclarece se o opressor é uma força alienígena, como é possível supor.

Nessa realidade, os cidadãos vivem sob vigilância permanente e toque de recolher. Antes da invasão, Will era agente do FBI, e os governantes que colaboram com os invasores querem sua ajuda para combater os ataques da resistência que se organiza. Oferecem como troca a chance de a família recuperar seu terceiro filho, extraviado em meio ao caos e agora vivendo em uma zona proibida.

“São personagens que encaram dilemas morais, cenas de ação, de intimidade, se mostram fortes e também frágeis”, disse Campanella em uma teleconferência para a imprensa latino-americana desde o México, onde passa férias.

Perguntado por ZH se a realidade distópica apresentada em “Colony” pode ser espelhada àquelas impostas em países da América do Sul que viveram sob a ditadura militar, o diretor respondeu: “eu era adolescente nessa época (entre 1976 e 1982) em que a Argentina ficou dividida entre uma realidade de aparente normalidade e outra em que ocorria, com naturalidade, algo terrível: pessoas sendo presas nas ruas e tiradas de suas casas de forma violenta. Houve muita atrocidade naquele período, e muita coisa só veio à luz com o processo de redemocratização do país. Os americanos não acreditam que isso possa ocorrer com eles, mas a violência imposta por um estado totalitário está presente em diferentes lugares do mundo. Nossa intenção em ‘Colony’ é destacar isso como uma espécie de segunda leitura da trama principal.”

Com mais de 20 anos de trânsito entre o cinema e a televisão, Campanella destaca elementos que considera emblemáticos no processo que fez produções de TV alcançarem um novo status cultural. “Houve um intenso processo de segmentação na TV. É possível arriscar, apostar em atingir determinado nicho. Existe mais tempo para encontrar sua audiência. O cinema com perfil comercial não tem esse tempo e, por isso, arrisca cada vez menos, investindo nas mesmas fórmulas. Mudou a maneira de consumir. A TV como conhecemos ficará cada vez mais voltada a notícias e esportes. O público que consome ficção não quer mais ser interrompido por comerciais e ficar preso a horários. É como ler um livro, você decide se vai ler algumas páginas ou vários capítulos.”

Ao cinema, Campanella adiantou que só deve voltar em 2017. “Estou trabalhando em um roteiro com Eduardo Sacheri (seu parceiro em O Segredo dos Seu Olhos), que planejo começar a filmar em janeiro ou fevereiro do próximo ano, em Buenos Aires”, afirmou.

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