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Clássico

Um faroeste à moda do cangaço

O Cangaceiro, um dos maiores sucessos internacionais da história do cinema brasileiro, passa por processo de restauro e será relançado em 2011, com box de DVDs e mostra itinerante

  • Annalice Del Vecchio
Milton Ribeiro, como Capitão Galdino, e Alberto Rushell, como Teodoro: duelo no centro da trama |
Milton Ribeiro, como Capitão Galdino, e Alberto Rushell, como Teodoro: duelo no centro da trama
 
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Um faroeste à moda do cangaço

Considerado o primeiro “nordestern” do Brasil, o longa-metragem O Cangaceiro (1953), com roteiro e direção de Lima Bar­­­­­reto, está prestes a ser redescoberto pelas novas gerações.

Um dos maiores sucessos do ci­­nema brasileiro no exterior, o filme passa por um cuidadoso processo de restauração fotoquímico e digital no laboratório de restauro da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, que se reverterá em novas cópias para cinema e um box de DVDs já no início de 2011.

“Com o passar do tempo, o filme sofre mutilações de várias naturezas, e o empenho do restauro é exatamente chegar na obra original. O Cangaceiro teve várias cópias, sendo necessário um estudo minucioso para a compreensão da obra por inteiro”, diz Patrícia di Filippi, diretora técnica responsável pelo restauro.

O box terá dois DVDs: um com o filme restaurado e outro com uma cópia sem restauração, para efeito de comparação histórica, além de mais de 200 fotos de cenas e bastidores da filmagem, um pequeno documentário mostrando o processo de restauro e depoimentos de artistas, técnicos e profissionais envolvidos no filme.

A produção inaugurou um novo gênero no cinema brasileiro com um tema, para a época, completamente original: o duelo entre os cangaceiros Teodoro (Alberto Ruschel) e Galdino (Milton Ribeiro) pela libertação de Olívia (Marisa Prado), uma professora raptada pelo bando por quem o primeiro é apaixonado.

Nono filme da Cinematográfica Vera Cruz, O Cangaceiro inicialmente não teve seu projeto bem recebido por Franco Zampari, fundador da produtora paulista. Só depois de muita negociação, Lima Barreto conseguiria o aval para a realização do clássico que consagraria internacionalmente a companhia.

A briga entre cangaceiros e volantes ao melhor estilo John Ford ou Howard Hawks, filmado em Vargem Grande do Sul, interior paulista, em paisagens que lembram o sertão nordestino, conquistou o júri do Festival de Cannes. Venceu os prêmios de melhor filme de aventura e melhor trilha sonora com a música “Olê Muié Rendeira”, interpretada por Vanja Orico, com arranjos de Gabriel Migliori e coro dos Demônios da Garoa – foi atuando no filme, aliás, como o personagem Mané Mole, que o compositor Adoniran Barbosa conheceu o grupo.

O Cangaceiro, com diálogos escritos por Rachel de Queiroz, inauguraria o gênero cangaço no cinema brasileiro – ou “nordestern”, termo criado pelo pesquisador potiguar-carioca Salvyano Cavalcanti de Paiva (1923-2000) –, com filmes que lotariam os cinemas nos anos 60 como Lampião, o Rei do Cangaço (1964), Corisco, o Diabo Louro (1969), de Carlos Coimbra, e Os Três Cabras de Lampião (1962), de Aurélio Teixeira.

O baiano Glauber Rocha também flertaria com o gênero em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), com o personagem Corisco, e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), com Coirana, embora não possa ser incluído entre os filmes do gênero por seu conceito cinematográfico bem mais ambicioso.

Criticados pela proposta reducionista e estereotipada com que trataram o cangaço, os “nordesterns” têm como mérito trazer uma temática regionalista para o cinema. “É verdadeiramente inexplicável (...) o fato de o cinema brasileiro chegar à temática do cangaço apenas em 1953, quando a literatura, através de autores como Franklin Távora ou José Lins do Rego, já forma um ciclo: o cangaceiro, personagem indispensável no romanceiro popular do Nordeste, passa ao romance nordestino com todo o seu complexo místico e anárquico”, aponta Glauber Rocha em seu livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro.

Distribuído pela Columbia, O Cangaceiro foi vendido para mais de 80 países – só na França, ficou dois anos em cartaz. Em 1997, ganhou remake dirigido por Anibal Massaini Neto, com Paulo Gorgulho, Alexander Paternost e Luiza Thomé. O cantor e compositor Dominguinhos participa da produção cantando os sucessos de Zé do Norte que fizeram parte da primeira versão. O artista Carybé, que atuou como diretor de arte na antiga versão, voltou na refilmagem.

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