No longa-metragem Vips, Wagner Moura vive o papel de Marcelo Rocha, que acabou na prisão por falsidade ideológica | Divulgação
No longa-metragem Vips, Wagner Moura vive o papel de Marcelo Rocha, que acabou na prisão por falsidade ideológica| Foto: Divulgação

Gostem dele ou não, Wagner Moura é o cara do momento. O ator, que está em destaque nos cinemas com o recordista de bilheteria Tropa de Elite 2, volta a mostrar sua versatilidade no filme Vips, em cartaz na 34.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O primeiro longa-metragem de Toniko Melo foi o grande vencedor do último Festival do Rio e tem previsão de estreia no circuito nacional em março de 2011.

Baseado em fatos reais contados no livro Vips: Histórias Reais de um Mentiroso, da jornalista Mariana Caltabiano, a obra revela os problemas de identidade de Marcelo da Rocha. Como se encarnasse um pseudo-Leonard Zelig – histórico personagem do cineasta Woody Allen, que se transforma nas pessoas com as quais convive –, Rocha sente prazer em imitar os outros.

Alimentando o sonho de ser piloto de avião, como o pai, o então adolescente Rocha foge de casa e começa sua saga. Mais uma vez ótimo, Wagner Moura se sai bem como o multifacetado Rocha, em suas diferentes etapas. Na adolescência, o ator aparece com os cabelos lisos e à altura da orelha, sem poupar qualquer trejeito dessa faixa etária. Quando adulto, o encarna em duas fases distintas, igualmente convincentes.

Na primeira, Rocha se mete com traficantes no Mato Grosso do Sul. É lá que pilota sozinho pela primeira vez e adquire seu codinome Carrera, por conta de um Porsche desse modelo que vê estacionado à sua frente. Ele consegue as­­cender em seu posto e faz trabalhos impossíveis, como pousar um avião à noite, no meio do nada. Continuando a viver na pele dos outros, há uma cena impagável em que Rocha sobe ao palco e imita Renato Russo, vocalista de sua banda predileta, a Legião Urbana. Mas um dia a polícia aparece e Carrera sai de cena.

Com "as costas quentes" em Brasília e a ajuda de uma reviravolta na trama, Rocha consegue se fazer passar por Henrique Constantino, filho do dono da empresa de aviação Gol. Isso acontece em meio ao carnaval de Recife. Cercado de celebridades, o personagem é entrevistado por Amaury Jr., recriando o episódio real ocorrido com o falso herdeiro. O sonho dura quatro dias.

Com um jato particular que consegue na capital pernambucana, Rocha (como Constantini) foge da polícia, que a essa altura já viu a entrevista ao vivo e está à sua procura. O imitador revela-se um doente, um sujeito que não aceita sua identidade e precisa recriar o mundo a cada momento. É preso, levado à prisão de Bangu 3, mesmo cenário de parte de Tropa de Elite 2, e lá se faz passar por um dos cabeças da organização criminosa PCC – Primeiro Comando da Capital. E o camaleão, assim, sobrevive, e reafirma Wagner Moura como o melhor ator brasileiro no momento, apesar do aparente excesso de trabalho.

O jornalista viajou a convite da 34ª Mostra de Cinema de São Paulo.

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