O parentesco distante entre judeus e árabes sugerido pelos textos sagrados da Torá e do Alcorão pode vir a ser comprovado, e até mesmo aproximado temporalmente.
Na década de 50, o primeiro premier de Israel, David Ben Gurion, desenvolveu a teoria de que os palestinos não são árabes, e sim descendentes dos judeus que ficaram para trás na diáspora que se seguiu à destruição de Jerusalém pelos romanos, em 135 D.C.
Eles teriam recebido autorização para ficar nas terras da Judeia e Samaria (que agora compõem a Cisjordânia) para fornecer grãos e óleo de oliva aos romanos.
A comprovação dessa tese teria um significado profundo para uma região em que a luta pela posse da terra é sangrenta e intimamente ligada à identidade racial. Estudos de genética testam a possibilidade. Apesar de não existir nada parecido com um "gene judaico", experimentos sobre uma doença do sangue encontrada entre israelenses e palestinos indicam, por exemplo, que a carga genética destes últimos é mais parecida com a dos vizinhos judeus do que com a dos árabes.
De acordo com o jornal londrino The Times, um grande propagandista desta tese é o pioneiro do setor de tecnologia em Israel, Tsvi Misinai. Ele vem empreendendo campanhas ao redor do país para convencer membros das duas etnias de que são irmãos.
O surpreendente é que ele não recebe apenas sorrisos de descrença. O comerciante árabe Khamis Aboulafia explica, logo após ouvir a ideia: "Por que eu estaria disposto a aceitá-la? Porque todas as outras ideias fracassaram".
Além de tentar convencer palestinos, Misinai faz lobby em escritórios de ministros, embaixadores, líderes religiosos e ativistas das duas comunidades.
"Demora para as pessoas se acostumarem à ideia. Imagine que você foi criado pensado que um certo povo é inimigo, e vice-versa. E agora diga-lhes que foi um erro, somos irmãos", declarou ao Times Online.
Ele afirma já ter convencido pessoas "duras na queda", como um oficial do partido palestino Fatah e o secretário do Sanhedrin, conselho de 200 rabinos que se baseiam nos líderes bíblicos de Jerusalém.
Elon Yarden, advogado que auxilia Misinai em sua causa da paz explica assim o distanciamento ocorrido entre os dois povos: "Nós judeus mantivemos nossa identidade pelo livro, pela religião, mas nos desligamos do país. Aqueles que ficaram para trás, no que se tornou a Palestina, não saíram do país, mas perderam sua identidade".



